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Atualmente, a Rossi tem R$ 100 milhões em terrenos tidos como não estratégicos e que podem ser vendidos para ajudar a reduzir sua alavancagem

Reuters

A Rossi já se desfez de cerca R$ 190 milhões desde 2012 em ativos não estratégicos
Divulgação
A Rossi já se desfez de cerca R$ 190 milhões desde 2012 em ativos não estratégicos

A construtora e incorporadora Rossi Residencial planeja vender estoques e ativos não estratégicos para ajudar na geração de caixa, enquanto tenta preservar a rentabilidade e segue sem ver melhora relevante do cenário econômico.

Atualmente, a Rossi tem R$ 100 milhões em terrenos tidos como não estratégicos e que podem ser vendidos para ajudar a reduzir sua alavancagem.

"Ou porque estão em cidades fora do plano estratégico ou fora do segmento que a gente quer atuar", afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores da Rossi, Rodrigo Ferreira Medeiros.

A Rossi já se desfez de cerca R$ 190 milhões desde 2012 em ativos neste perfil. Em uma das operações, em outubro de 2013, vendeu a fatia em shopping no Ceará por R$ 80 milhões.

Outra estratégia no curto prazo é uma postura agressiva de venda de estoques, com um desconto médio de 13% a 15% dos produtos em praças não estratégicas ou de unidades prontas ou "quase prontas".

A Rossi tem cerca de R$ 3 bilhões em estoque, dos quais R$ 1 bilhão considerados não estratégicos. A empresa tem ainda outros R$ 6 bilhões em carteira de unidades já vendidas e que receberá à medida em que entregar os empreendimentos.

"A ideia é gerar caixa para reduzir nossa alavancagem, diminuir o custo financeiro", disse Medeiros.

"A campanha de vendas desta carteira especificamente tem tido resultado bastante satisfatório em relação ao mercado", acrescentou o diretor-executivo da Rossi, Leonardo Diniz, sem detalhar números.

Com o objetivo de retomar maior rentabilidade e geração de caixa, a companhia divulgou no ano passado um plano estratégico para o triênio 2013-15, com menor foco momentâneo em metas para valor geral de vendas (VGV) e banco de terrenos.

A empresa reduziu a área de atuação e passou a se dedicar aos segmentos de média e alta renda. Atualmente são considerados estratégicos Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

De acordo com os executivos, o nível de despesas já caiu mais de 30%, corrigido pela inflação, em relação ao patamar de 2010-11, quando a Rossi lançou volumes mais expressivos, com otimização de processos e reduções de custos.

"No momento, a gente está muito focado com as etapas finais do ciclo da incorporação, que é a entrega e o repasse, para fazer o caixa voltar. Quando estabilizar a empresa inteira num patamar mais sustentável nas diferentes etapas do ciclo, a gente vai conseguir buscar níveis maiores de eficiência", disse o diretor financeiro.

Para analistas, a Rossi tem que diluir as despesas para ter resultados de longo prazo, já que ainda não tem resultado operacional forte.

Entre abril e junho, a empresa gerou caixa pelo terceiro trimestre consecutivo, de R$ 45 milhões, porém menor em relação aos dois períodos anteriores.

Os executivos se disseram confortáveis em relação ao nível atual de endividamento -com a dívida líquida representando 108,7% patrimônio líquido no fim de junho.

Poucos lançamentos no segundo trimestre

A Rossi realizou poucos lançamentos no terceiro trimestre e o cenário para novos empreendimentos não mudou, segundo o diretor-executivo.

"Eu diria que a gente não tem uma projeção de lançamentos, a gente não dá projeção. Os lançamentos estão mais distribuídos ao longo do ano", afirmou Diniz.

Em 2013, os lançamentos Rossi foram de R$ 950 milhões. No primeiro semestre de 2014, atingiram 374,1 milhões, sem considerar a fatia de sócios. Em 2011, o valor chegou a R$ 4,3 bilhões.

Para o executivo, o cenário econômico até dezembro não deve mudar. "É um ano de cenário difícil, de pouco crescimento do país. Não deve ter grandes mudanças na velocidade de vendas", disse Diniz.

O ano tem sido marcado pela redução dos lançamentos e vendas no setor. Na capital paulista, maior mercado imobiliário do país, a venda de imóveis novos caiu 48,3% ano a ano no primeiro semestre, recuo de 18,8% dos lançamentos, segundo o Secovi-SP, sindicato de habitação.

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