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Com fábrica na Bahia, empresa de móveis de design italiano foca no mercado nacional com lançamentos e novas lojas até o fim do ano

Pasquale Natuzzi, fundador e CEO do grupo italiano de móveis estofados
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Pasquale Natuzzi, fundador e CEO do grupo italiano de móveis estofados

Quem visita com frequência a casa de Pasquale Natuzzi em Santeramo in Colle, na província de Bari, no Sul da Itália, pode se surpreender com a velocidade com que a decoração, especialmente os sofás, se renova. "Chego a trocá-los pelo menos cinco vezes ao ano. Minha mulher fica desesperada", conta o fundador da marca de móveis italianos que leva seu sobrenome e hoje é uma das mais respeitadas da Europa.

Mais do que inquietação, Natuzzi vê em seu próprio ambiente doméstico um espaço único para testar novos produtos. "O cliente final é nosso maior patrimônio e não podemos falhar com ele", afirma, incluindo neste rol não apenas o conforto e qualidade do produto, mas também todo serviço de venda, pós-venda e entrega. Daí sua presença constante no Brasil, onde desde 1999 a empresa tem uma de suas sete fábricas (eles também produzem na China, Romênia e Itália).

O projeto, que nasceu para facilitar as exportações aos Estados Unidos, principal mercado da marca – "lá eles estão habituados a trocar a decoração a cada oito anos" –, tomou novo rumo em 2010, quando a taxa de câmbio ficou desfavorável. Com fornecedores estabelecidos e toda a estrutura montada, o jeito foi focar no mercado interno. Um gigante com inúmeros desafios a serem vencidos. "Sobretudo porque o Brasil é um mercado muito grande territorialmente, o que exige muito esforço para organizar as logísticas de venda, distribuição e assistência. Fora a burocracia e o sistema fiscal, que não são nada fáceis", avalia o patriarca.

Além das três lojas próprias da marca em SP, outros pontos de venda deverão ser abertos
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Além das três lojas próprias da marca em SP, outros pontos de venda deverão ser abertos

Entretanto, a curva de aprendizado parece ter sido rápida. As vendas, que em 2010 totalizaram R$ 2 milhões, devem fechar em R$ 42 milhões em 2014, com expectativas ainda maiores para os próximos anos. "Isso é apenas 15% de onde queremos chegar até 2018." Quando, talvez, o País tenha uma posição mais relevante no ranking dos principais mercados consumidores da marca, que chega a faturar globalmente quase 460 milhões de euros.

"É uma questão de tempo. Brasil tem um potencial imenso", diz Natuzzi, que já conta com três lojas próprias da marca Natuzzi Edition em São Paulo (SP), com perspectiva de abrir outras com as linhas Natuzzi Itália (com matéria-prima e produção 100% italiana) e Re-vive, ainda neste ano. "Crescer é uma exigência organizacional e não apenas um desejo. Estamos contentes com os resultados que tivemos, mas precisamos disso para manter nossa estrutura funcional, e entregar a qualidade de produto e serviço que acreditamos. Se não tiver volume de vendas a conta não fecha”, garante ele, que mundialmente controla 1.890 pontos de venda.

Apresentada na última semana a arquitetos, designers de interiores e lojistas, durante evento realizado em Salvador, a poltrona reclinável Re-viva – primeira peça de uma nova marca da empresa que tem o “dolce far niente” como guia –, é a grande esperança para impulsionar as vendas nos próximos anos. “Vamos começar a produzi-la em janeiro, com 80% de matéria-prima brasileira. Apenas o mecanismo de poliuretano virá da Itália, já que o maquinário está lá”, diz Pasquale Jr. Natuzzi, segunda geração da família a frente do negócio. A poltrona, que deverá chegar às lojas em fevereiro de 2015, tem preço estimado de R$ 15 mil. “Imaginamos que esta será uma compra feita mais por impulso, então pretendemos ter algum estoque para pronta-entrega”, completa o patriarca.

Conheça alguns dos lançamentos da Natuzzi:

A entrada no segmento de móveis para quarto, com uma linha de camas desenhada pelos renomados designers Roberto Tapinassi e Maurízio Manzoni, do estúdio Memo, e Claudio Bellini, também ajudará a complementar o portfólio recheado de sofás de couro, carro-chefe da marca, cujos preços costumam começar na casa dos R$ 20 mil.

Com desenhos mais suaves e modernos do que no passado, mostrando clara evolução de design, uso de materiais e combinação de cores, a marca segue, entretanto, sem planos para ultrapassar a fronteira da casa. “Gostamos de fazer tudo a seu tempo, para fazer bem feito. Hoje somos especialistas em decoração e é projetando casas que me sinto mais feliz”, afirma o decorador oficial da família.

(*) A jornalista viajou a convite do Grupo Natuzzi

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