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Etiqueta digital é uma das apostas das companhias para minimizar o problema e melhorar a vida dos passageiros

NYT

Semelhança de malas e falta de tecnologia criam problemas para quem viaja
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Semelhança de malas e falta de tecnologia criam problemas para quem viaja

David Deeble abriu a mala e notou que o facão desapareceu. Bem como o desentupidor de pia, o coelho de pelúcia e os pinos para malabarismo – sem mencionar suas roupas. Malabarista cômico de um cruzeiro, Deeble descobriu seis horas antes de o navio zarpar de Cingapura que pegara a mala preta com rodinhas errada ao sair do aeroporto.

À medida que a bagagem se torna mais e mais indistinguível, os viajantes tentam novas formas de diferenciá-la, como amarrar fitas brilhantes na alça ou colando adesivos fluorescentes na lateral.

Agora, algumas empresas e companhias aéreas estão desenvolvendo uma alternativa digital à etiqueta de papel, para encontrar malas perdidas e agilizar o check-in.

Em 2013, a British Airways realizou testes com uma etiqueta digital. A empresa espera oferecê-la aos clientes até o final deste ano, afirmou a porta-voz por e-mail.
"O equipamento foi projetado para criar um check-in mais rápido", informa a companhia. "Vai poupar tempo no aeroporto. A etiqueta digital muda com a passada de um smartphone para carregar o próximo destino do viajante".

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A Air France-KLM está trabalhando com a FastTrack Co., firma de tecnologia com bases em Londres e Amsterdã, num sistema de rastreio que funciona por meio de um aplicativo para smartphone.

"Nossa meta é tirar o estresse da viagem e colocar você no controle da sua mala", afirma David van Hoytema, cofundador da FastTrack.

O sistema é composto por dois aparelhos. Uma etiqueta digital para mala substituirá a versão em papel. Um equipamento de rastreamento vai dentro da mala e informa ao proprietário sua localização por meio de um aplicativo para smartphone, utilizando Bluetooth quando o telefone do passageiro estiver perto da mala, e GPS e tecnologia celular GSM quando o Bluetooth estiver fora de alcance.

Van Hoytema diz que os viajantes seriam capazes de empregar os equipamentos juntos ou separados. Os passageiros de qualquer companhia aérea seriam capazes de utilizar o equipamento de rastreio.

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A Air France espera disponibilizar o seu aos viajantes até o final do ano, segundo Carole Peytavin, diretora de Experiência do Consumidor da empresa para atividades de distância média.

A Airbus está trabalhando numa maleta com etiqueta digital para bagagem embutida que usa conexão via celular e GPS para o rastreio. Chamado Bag2Go, o aparelho deve ser lançado em breve.

O setor aeronáutico espera que isso ajude a suavizar uma das maiores dores de cabeça da viagem aérea: a mala perdida. A Airbus estima que aproximadamente 26 milhões de malas sejam perdidas todos os anos. Embora a maioria seja direcionada erroneamente, empresas e clientes dizem que uma parte, ainda que pequena, é pega por engano.

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"Certamente recebemos relatos de que isso ocorre", explica Brian Parrish, porta-voz da Southwest Airlines. Ele qualifica o índice de confusões como uma porcentagem muito pequena dos incidentes de malas que não chegam ao destino do viajante. A porta-voz da JetBlue confirma o comentário. "Embora não possamos divulgar números, fizemos pesquisas e descobrimos que isso acontece de tempos em tempos", informa Tamara Young em e-mail.

Como isso acontece mesmo, as empresas aéreas procuram formas de reduzir a incidência dessas confusões.

"Já que muitas malas são parecidas, incentivamos os clientes a verificar o número de conferência ao pegá-las", afirma Charles Hobart, porta-voz da United Airlines, por e-mail.

Porém, nem sempre o conselho é seguido.

Outro passageiro levou a mala de Ric Fleisher, empreendedor, quando ele ia a Londres para uma conferência. Fleisher havia colocado identificação em sua mala bege, mas isso não evitou que outro passageiro fosse embora com a bagagem.

"Só vim com as roupas do corpo, então tive de ir à loja Marks & Spencer. Comprei uma camisa barata e uma muda de cueca. Fiquei meio perturbado".

Agora, Fleisher não se arrisca. Logo após o incidente, amarrou duas fitas coloridas – uma vermelha e outra quadriculada feito bandeira de corrida de automóvel – à alça da bagagem, e quando foi comprar uma nova, escolheu uma azul-celeste. A cor chamativa também ajuda a acelerar sua passagem pela esteira de bagagens. "Quando vejo minha mala saindo, pego-a rapidamente. Não quero que seja confundida com a de ninguém".

Às vezes, mesmo uma bagagem bem diferente pode sofrer uma identificação errada. Steve Ward, diretor de um serviço de encontros românticos que viaja com frequência, conta ter trocado sem querer de mala enquanto viajava para esquiar, apesar de a bagagem em questão ter um formato estranho para carregar o equipamento de snowboard. "Era uma mala tão especializada que foi incrível alguém ter uma idêntica".

Doug Howard, CEO de uma empresa de segurança de tecnologia da informação que viaja a trabalho toda semana, poderia ter recorrido aos novos experimentos ao se registrar no hotel às 22h com o que descrevia ser uma "mala preta padrão usada em viagem por 90% dos norte-americanos". Quando abriu a mala, ela estava cheia de roupas femininas.

Com uma apresentação marcada para o café da manhã às 7h do dia seguinte, Howard ligou para a empresa aérea, que mandou uma pessoa até seu hotel para desfazer a troca de bagagens.

Howard recebeu roupas novas a tempo da reunião no café da manhã, mas o incidente impressionou-o de tal forma que ele decidiu que sua empresa daria como brinde um invólucro bastante chamativo para alças de mala.

"Quando se sente a dor, percebe-se a necessidade. Sei que não era a única pessoa no mundo com aquele problema".

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