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Empresa terá de pagar R$ 1,5 milhão a fabricante de cápsulas biodegradáveis; ao iG, empresário diz que critica multinacional suíça por denegrir companhia

Divulgação
"Diziam aos clientes que nossas cápsulas derreteriam"

A sofisticação da  Nespresso também se faz com deselegâncias.

O braço de cafés em cápsulas da Nestlé foi condenado pelo Tribunal do Comércio de Paris a pagar R$ 1,5 milhão sob acusação de denegrir a imagem de uma concorrente bem menor.

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"Eles colocaram um sistema [ nas máquinas da Nespresso ] que bloqueava nossas cápsulas, e diziam aos clientes que o problema era do produto", diz Jean-Paul Gaillard, presidente da Ethical Coffee Company, e responsável contra a Nespresso . "Também diziam [ aos clientes ] que nossas cápsulas derreteriam", afirma, em entrevista ao iG .

Ex-diretor da Nespresso, Gaillard é apontado como o homem que ajudou transformar o produto em referência do mercado mundial de cafés em cápsulas. Em 2008, o executivo criou a Ethical e suas cápsulas biodegradáveis passaram a desafiar a gigante suíça.

A Nestlé chegou a processar a Ethical sob acusação de que as empresa havia copiado seus produtos, numa briga relativa a patentes.  Em resposta, foi processada por alterar suas máquinas de forma a impedir a utilização de cápsulas de concorrentes

No início deste mês, o Tribunal do Comércio de Paris condenou a Nestlé a pagar € 500 mil  – R$ 1,5 milhão – à ECC, além de arcar com € 40 mil – R$ 120 mil – de custos com advogados.

"O importante não é o valor, mas que a Justiça tenha determinado que um concorrente não pode denegrir a imagem do outro", afirma Gillard. "A Justiça mostra que permitiu [a atividade] de empresas menores que possuem produtos melhores atuarem em mercados dominados pelas grandes sociedades."

Em abril, a Nestlé já havia firmado um acordo com a autoridade da concorrência francesa após ser acusada de abusar de sua posição de mercado para prejudicar outros produtores.

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A gigante suiça informou que avalia se recorrerá da condenação do Tribunal do Comércio de Paris.

"Não acreditamos que a decisão leve em conta o comportamento da ECC nos últimos anos", informa a Nestlé. "Defendemos uma concorrência livre e leal e gerimos nossas atividades em conformidade com todas as leis e regulamentações em vigor."

A empresa afirma ainda que adotou medidas para rever as formas de comunicações com seus clientes sobre "as cápsulas ditas compatíveis com as máquinas Nespresso", após o acordo com a Autoridade da Concorrência.

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