Tamanho do texto

"Tomodachi Life", que simula a vida real, mas impede casamento entre personagens do mesmo sexo, provocou reação de fãs da fabricante de games no Japão

Montagem criada por blogueiros com personagens do jogo: campanha por igualdade começou nas redes sociais
Reprodução
Montagem criada por blogueiros com personagens do jogo: campanha por igualdade começou nas redes sociais

A fabricante de jogos Nintendo pede desculpas e promete ser mais inclusiva após ser criticada por não reconhecer casais homossexuais em versões em inglês de um jogo de video game que simula vida de personagens.

O anúncio feito pela companhia é de que, apesar de ser muito tarde para mudar o jogo, ela se compromete em construir uma igualdade virtual entre sexos em jogos futuros.

Leia também: Nintendo deve lançar videogame para mercados emergentes

A Nintendo ficou sob fogo cruzado de fãs e organizações de direitos homossexuais na semana passada depois de se recusar a adicionar relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo como opções no jogo "Tomodachi Life". 

"Nós nos desculpamos por desapontar muitas pessoas ao fracassarmos em incluir relacionamentos homossexuais em Tomodachi Life", disse a Nintendo em um comunicado divulgado na sexta-feira (9). "Infelizmente, não é possível mudar o design do jogo, e uma mudança tão significativa não pode ser concluída". 

E também: Mercado de jogos eletrônicos explode no Brasil

O jogo foi originalmente lançado no Japão no ano passado e apresenta um elenco de personagens Mii, que são os avatares personalizados de jogadores reais. Estes personagens vivem em uma ilha virtual. Jogadores podem fazer compras, jogar videogame, marcar encontros amorosos, se casar e encontrar celebridades como a cantora Christina Aguilera e Shaquille O'Neal. Sucesso no Japão, "Tomodachi Life" está programado para ser lançado em junho nos Estados Unidos e na Europa.

Tye Marini, um homossexual de 23 anos que é fã da Nintendo e vive no Arizona, lançou uma campanha em mídias sociais em abril que busca igualdade sexual entre os personagens do jogo.  

#Miiquality from Tyeforce on Vimeo .

"Eu quero poder casar com o personagem do meu noivo na vida real, mas não posso", disse Marini em um video que postou online e atraiu a atenção de foruns em sites de games na semana passada. "Minhas únicas opções é me casar com algumas personagens femininas, mudar meu gênero ou o do meu parceiro ou não me casar e perder o conteúdo exclusivo concedido pelo jogo quando os personagens se unem".

Marini disse neste sábado (10) que ele estava "muito feliz" com a resposta da Nintendo. "Eu não acredito que eles sejam uma empresa homofóbica", disse Marini. "Eu acredito que a exclusão de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo foi só um descuido infeliz". 

País oriental não aceita o casamento gay

O tema marca uma divisão cultural entre o Japão, onde o casamento gay não é legalizado, e a América do Norte e Europa, onde o casamento homossexual se tornou legal em algumas localidades. Também coloca luz no problema da "localização", processo no qual games sofrem mudanças para se adaptar a diferentes lugares

O tumulto levou Kyoto, onde fica a sede da Nintendo e sua subsidiária, a Nintendo da America, a pedir a criação de um "Tomodachi" mais inclusivo no futuro. 

Jogo Tomodachi Life simula vida real com personagens de jogadores online
Divulgação
Jogo Tomodachi Life simula vida real com personagens de jogadores online

"Nós estamos comprometidos a avançar nos valores da nossa companhia de diversão e entretenimento para todos", disse a Nintendo na sexta-feira. "Nos comprometemos a criar na próxima série "Tomodachi" uma experiência mais inclusiva, e que melhor representa os jogadores".

Leia também: Empresas brasileiras se posicionam a favor do casamento gay

Enquanto muitos jogos em inglês não incluem personagens gays, muitas séries produzidas por desenvolvedores de língua inglesa, como "The Sims", da Electronic Art; "Fable", da Microsoft Studio; e "The Elder Scrolls", da Bethesda Softwork, permitiram aos jogadores criarem personagens que podem se relacionar com outros do mesmo sexo, assim como casar com eles e ter filhos. 

Depois do comunicado da Nintendo na semana passada, como resposta à campanha de Marini, de que não iria adicionar relacionamentos entre personagens do mesmo sexo em "Tomodachi Life", o fabricante de franquias de games como "The Legend of Zelda" e "Mario Bros" foi desafiado por fãs e organizações gays. 

"Nintendo deu um primeiro passo, mas a empresa prega 'diversão e entretenimento para todos', então precisa seguir o exemplo de outras empresas como Electronic Arts, que já incluiu os jogadores GLBT há anos" disse a presidente e CEO do GLAAD Sarah Kate Ellis, em um comunicado.