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Companhia encerrou dezembro com receita líquida de R$ 436 milhões, 20,5% acima do resultado de um ano antes

Reuters

A rede de ensino privado Estácio Participações viu seu lucro líquido triplicar no quarto trimestre, na comparação com o mesmo período de 2012, para R$ 45,1 milhões, e espera novo recorde de captação de alunos em 2014. O resultado foi impulsionado pelo avanço da receita líquida, além da melhora do resultado financeiro.

Mas o lucro ficou abaixo do esperado pelo mercado. A média das estimativas de analistas apontava para lucro de R$ 62,4 milhões no período. No acumulado do ano, o lucro foi de R$ 244,7 milhões, alta de 123,1% sobre 2012. O resultado financeiro da companhia ficou positivo em R$ 3,7 milhões, ante um resultado negativo de R$ 12 milhões um ano antes.

"O resultado vem muito alinhado com crescimento da base de alunos, basicamente orgânico", disse à Reuters o diretor executivo de finanças e de relações com investidores da companhia, Virgílio Gibbon, na última quinta-feira.

A Estácio encerrou 2013 com uma base total de 315,7 mil alunos, 16,3% acima de 2012, sendo 255 mil alunos matriculados nos cursos presenciais.

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A companhia registrou uma evasão de 20,7 mil alunos, 8 mil a mais na comparação com o mesmo período de 2012, por conta de uma base "mais jovem", com mais alunos matriculados nos três primeiros períodos. Também contribuíram para este aumento a evasão de alunos do Financiamento Estudantil (Fies), além de uma limpeza de base de 3 mil alunos, que não tinham efetivado o trancamento de matrícula ou não apresentavam aproveitamento acadêmico.

Com a limpeza da base, a companhia tem expectativa de melhora da evasão em 2014, de acordo com Gibbon. "Estamos pensando em uma renovação acima do esperado, com a base mais limpa", afirmou.

A Estácio encerrou dezembro com receita líquida de R$ 436 milhões, 20,5% acima do resultado de um ano antes.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 65,8 milhões no período, 36,2% maior, na mesma base de comparação.

A empresa apresentou posição de caixa, depósitos bancários e aplicações financeiras de R$ 739,2 milhões, resultado que foi impulsionado pela oferta subsequente de ações da companhia, que em janeiro de 2013 movimentou R$ 768,8 milhões.

Deste total, a companhia utilizará R$ 307 milhões na aquisição da Uniseb, em uma operação anunciada pela companhia em setembro passado por R$ 615 milhões em dinheiro e ações.

No final de fevereiro, o parecer técnico do Cade recomendou medidas para solucionar problemas concorrenciais no negócio.

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A expectativa, segundo o executivo, é de aprovação da operação, com a implantação de alguns remédios pelo Cade. Ele mencionou a possibilidade de limitar oferta de algum curso em determinada praça ou limitar ou manter a quantidade de alunos em locais indicados, ressaltando que qualquer expectativa seria mera especulação.

Com pouco mais de R$ 440 milhões em caixa, a Estácio vai continuar focando em aquisições e na expansão territorial, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Para 2014, a companhia espera nova captação recorde de estudantes. "Esperamos um crescimento de aproximadamente 18% tanto no segmento de graduação presencial quanto no de graduação à distância", disse a companhia em seu relatório de resultados.

A Estácio afirmou também que vai analisar "qualquer resultado" do processo de fusão entre Kroton e Anhanguera, disse o diretor.

Quando perguntando se a Estácio poderia ter interesse em uma associação com a Kroton caso a fusão com a Anhanguera não seja concluída, Gibbon afirmou que a empresa analisará "o resultado que sair deste processo". "Mas é muito cedo, e qualquer coisa que eu fale aqui será mera especulação", completou.

Nos últimos dias, circularam notícias sobre o suposto interesse da Kroton em renegociar com a Anhanguera os termos da associação que criará a maior empresa de educação do país em função da ampliação da diferença entre o valor das ações das duas companhias desde a celebração do acordo, em abril passado.

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