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Feirão de fábrica, juros subsidiados e operação troca com troco fazem parte da estratégia da montadora para os próximos dois anos

No final de 2012, o braço financeiro da General Motors ( GM ) ganhou reforços com a aquisição do GMAC (banco da montadora) por US$ 4,2 bilhões . A aquisição não poderia ter acontecido em melhor hora, pelo menos no que diz respeito ao mercado automotivo brasileiro.

Em tempos restrição de crédito e de juros em curva ascendente, sobram poucas alternativas para quem tem planos de financiar um carro. Nessa cena entra o GMAC, subsidiando o crédito para as compras de carros da montadora. "Tomamos uma decisão acertada com a compra do GMAC", afirmou Dan Ammann, presidente global da montadora, em sua primeira entrevista coletiva no Brasil.

"Nosso mercado não é um setor que desempenha bem em condições restritivas de crédito", diz Santiago Chamorro, presidente nacional da GM. O executivo acredita que o assunto financeiro explica o encolhimento do mercado – embora Chamorro não descarte o aumento da competitividade com a chegada de novas montadoras.  "Os juros estão subindo, a disponibilidade de crédito não é mais tão ampla, os clientes estão tímidos e ainda temos um aumento de preço natural por conta da volta dos Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e pelas exigências técnicas de freios ABS e airbags", diz. 

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Diante desse cenário, Chamorro vê no subsídio de serviços financeiros o principal caminho para manutenção das vendas em bons patamares. "Já tivemos a taxa zero e agora estamos subsidiando taxas muito boas", explica o executivo.

Outra alternativa que começa a despontar no horizonte da GM é o leasing, cuja discussão em torno do marco legal parece estar chegando a um fim. "Estou escutando boas notícias com relação ao leasing, mas temos que ver o texto final. Solucionado isso, teremos uma ferramenta interessante", antevê Chamorro. 

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Para Chamorro, a facilidade de programação das parcelas e a opção de aquisição ou não do veículo são atrativos importantes tanto para a pessoa física quanto para os frotistas. "O Banco GM tem uma experiência muito grande nesse sentido e vai poder atender à essa demanda do consumidor." 

Operação "troca com troco" continua e feirão de fábrica terá "repeteco"

O executivo conta que a promoção no estilo "troca com troco", em que o proprietário de um carro entrega seu usado como parte da entrada, parcela um carro novo e sai com dinheiro na mão, voltou a ganhar espaço nas concessionárias.  Foram 1,7 mil veículos vendidos desde a última sexta-feira (14). "Estávamos pensando que seria algo de menor prazo, mas devemos ir em frente com isso", diz o executivo. 

Chamorro também confirma que no último final de semana a fábrica da GM em São Caetano (Grande São Paulo) deverá receber um novo feirão. "Foi tão bom que vamos oferecer um repeteco", avisa. 

Para o executivo da GM, o mercado está agressivo. "Tem um incontável número de marcas, ofertas, preços e financiamentos", explica. Para se sair bem nesse cenário, a  venda para frotistas tem chegado a 30% da operação de algumas empresas. "Nós ainda estamos trabalhando com 20% das vendas para as frotas, porque a margem dessas operações é apertada e nós queremos manter o balanço da fórmula."

Para presidente global, desaceleração do mercado brasileiro é passageira

Em sua primeira passagem pelo Brasil, Dan Ammann, presidente global da GM, se mostrou mais que otimista com relação aos negócios da montadora  no Brasil. “É claro que estamos enxergando uma desaceleração, mas entendemos que os negócios e a economia se movem em ciclos. Não vamos mudar nosso direcionamento por conta de uma pequena desaceleração”, diz.

Up!,. da Volkswagen está em observação pela equipe da GM: demanda é clara
Divulgação
Up!,. da Volkswagen está em observação pela equipe da GM: demanda é clara

Na opinião de Ammann, o mercado brasileiro já terá voltado a crescer em menos de cinco anos. “Tem um potencial de longo prazo aqui, mesmo com a competição se intensificando.” Nem o imbróglio com o mercado argentino tem prejudicado o otimismo do executivo. “A situação é instável, mas consideramos esse problema totalmente administrável.”

Ammann não fez nenhum anúncio de investimento ou de novos veículos. No entanto, não nega estar observando o desempenho do Up!, da Volkswagen, para entrar de vez no mercado de subcompactos.

Por enquanto, rumores de mercado apontam para o Projeto Jade, que poderá substituir o Celta no futuro próximo. "Há uma clara demanda por esse veículo, mas ainda temos de chegar ao preço adequado", diz Jaime Ardilla, presidente da GM para a América do Sul.

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