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Brasil aposta no intercâmbio técnico-científico para aperfeiçoar a produção de uvas e despontar na venda de bebidas finas

Brasil Econômico

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Reprodução/TV iG
No Sul de Minas Gerais, o sistema de poda dupla vem garantindo a expansão da produção de uvas

Produtores nacionais de uvas para processamento e elaboração de vinhos finos e espumantes estão apostando em novas tecnologias, incluindo as que vêm do Japão, para aumentar a participação no mercado nacional de bebidas, em franca expansão. Na última semana, uma comitiva do Centro de Tecnologia de Vinho do Governo de Yamanashi foi a Minas Gerais conhecer a nova técnica da dupla poda — que vem permitindo o desenvolvimento de uvas de boa qualidade no Sul do estado, em São Paulo e no Rio de Janeiro —, e trocar conhecimentos com os técnicos da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas (Epamig). A intenção é que o intercâmbio dê à produção brasileira de vinhos mais ritmo e qualidade.

“Temos a possibilidade de ter a expertise japonesa com a troca de experiências técnicas e o uso de equipamentos mais sofisticados, que possam aprimorar o estudo das características dos nossos microclimas e a experimentação de novas variedades de vinho”, explica Paulo Romano, secretário adjunto de Agricultura de Minas Gerais.

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Segundo o pesquisador da Epamig, Murillo Albuquerque, a nova técnica de dupla poda, que possibilita a colheita de uva no verão e no inverno, já vem trazendo excelentes resultados aos produtores.

“Já tem vinho no mercado produzido a partir dessa técnica. Ela abre possibilidades imensas para regiões de Minas, São Paulo e Rio, que concentram a produção cafeeira, e combina bem essa produção”, diz Albuquerque, que destaca que a parceria nipo-brasileira vai dar ao vinho nacional “mais valor agregado”.

Somado a Minas, o Brasil conta com mais dois importantes polos de produção de vinhos: a Serra Gaúcha e o Semiárido brasileiro. No Vale do São Francisco, precisamente em Petrolina, um projeto para o desenvolvimento de vinhos tropicais finos vem ganhando força e deve, nos próximos meses, avançar mais um passo, por meio da criação de um selo de identificação geográfica. Segundo José Fernando Protas, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e consultor do Instituto Brasileiro de Vinhos (Ibravin), o projeto já está nas mãos da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

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“A dificuldade que o Brasil enfrenta hoje no mercado interno não se relaciona à qualidade ou à oferta de bons produtos, e sim à competitividade. O preconceito existente no comportamento brasileiro, que supervaloriza o produto internacional, atrapalha o mercado. Além disso, a política tributária penaliza em até 50% os vinhos e espumantes”, avalia.

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