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Mauro Rodrigues da Cunha argumentou "falta de envio tempestivo das demonstrações para análise dos conselheiros"

Reuters

A Petrobras informou nesta segunda-feira (17) que o seu Conselho de Administração aprovou, por maioria de votos, as demonstrações financeiras do exercício social de 2013, mas um conselheiro representante dos acionistas minoritários votou contra.

O conselheiro Mauro Rodrigues da Cunha, presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), foi dissidente.

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Segundo a Petrobras, ele votou contrariamente à aprovação do balanço argumentando, entre outras coisas, que houve "falta de envio tempestivo das demonstrações para análise dos conselheiros", além de ter considerado que houve "insuficiência de informações e aparente inadequação da contabilização dos investimentos em refinarias".

O voto dissidente da Petrobras foi registrado em reunião realizada no dia 25 de fevereiro
Divulgação/Petrobras 5.05.2006
O voto dissidente da Petrobras foi registrado em reunião realizada no dia 25 de fevereiro

Cunha também discordou quanto à política de "hegde accounting", prática contábil que a Petrobras passou a adotar em meados de maio de 2013, com o objetivo de reduzir impactos provocados por variações cambiais em seus resultados periódicos.

No caso da Petrobras, esse mecanismo contempla cerca de 70% do total das dívidas líquidas expostas à variação cambial, informou a empresa em meados do ano passado.

Outras empresas, como a Braskem, também chegaram a adotar a medida .

O voto dissidente foi registrado em reunião realizada no dia 25 de fevereiro.

Procurado pela reportagem, Cunha respondeu por email não ter comentários sobre a nota publicada pela Petrobras.

No mesmo dia, o Conselho Fiscal da Petrobras recomendou que a estatal faça esforços para reduzir sua dívida, em meio à ameaça de corte na nota de crédito que poderia prejudicar os planos de investimento.

A dívida líquida subiu para mais de 3,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em 2013, acima da meta da empresa de 2,5 vezes o Ebitda.

O aumento na dívida da Petrobras, provocada pelo controle do governo nos preços de combustível e perdas com as importações crescentes de gasolina e diesel, aumentou a preocupação de que a empresa possa ter problemas para pagar seu plano de investimentos de cinco anos de cerca de US$ 220,6 bilhões.

As recomendações do Conselho Fiscal da Petrobras sobre a dívida da companhia são semelhantes às orientações do Conselho de Administração, disse nesta segunda-feira (17) a presidente Maria das Graças Foster.

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