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Rede de ensino privado espera captar de 10 mil a 15 mil alunos este ano e deve registrar alta de 15% na receita líquida

Reuters

A Anhanguera Educacional espera uma aceleração de seus resultados em 2014, enquanto aguarda a aprovação de sua fusão com a Kroton no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A rede de ensino privado, que espera captar de 10 mil a 15 mil alunos este ano, prevê um aumento de 15% na receita líquida em 2014, enquanto para o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), a expectativa é de que alcance R$ 450 milhões até dezembro.

-Leia também: Anhanguera Educacional tem queda de 84% no lucro do 4º trimestre de 2013

A Anhanguera estima que projetos como o modelo de aula uma vez por semana e cursos 100% online — que devem chegar a 10% de sua receita este ano — possam ajudar nestes resultados, inclusive no incremento da margem bruta.

A companhia aguarda, ainda, a aprovação de 223 polos este ano para o ensino à distância, que segundo o presidente-executivo, Roberto Valério, devem estar operacionais "em algum momento de 2015", disse ele, em teleconferência.

As ações da Anhanguera caíam 1,44% nesta segunda-feira (17) na Bovespa
Divulgação
As ações da Anhanguera caíam 1,44% nesta segunda-feira (17) na Bovespa

Outras frentes de maior atuação da companhia este ano são o lançamento de cursos para concursos regionais, no segundo semestre, implantação de novos cursos de graduação, além de continuidade na melhoria no preço médio cobrado dos alunos.

Neste ano, a adesão da companhia ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do Governo Federal, também deve impulsionar os resultados, mas não está incluída no cálculo para a projeção de resultados em 2014.

Valério mencionou que a companhia trabalha para reduzir as provisão para devedores duvidosos (PDD) e as despesas, itens que afetaram diretamente o lucro da companhia especialmente no quarto trimestre.

Nesta segunda-feira (17), a rede de ensino privado divulgou resultados referentes ao período, em que o lucro recuou 84,4% na comparação anual e ficou abaixo das estimativas de analistas.

O lucro foi de R$ 2,7 milhões, enquanto analistas previam um resultado de R$ 30,2 milhões.

Durante o trimestre, as despesas administrativas subiram 45,9%, a R$ 53,9 milhões. Já as despesas de vendas subiram 19,8% sobre o mesmo trimestre de 2012, a R$ 67,8 milhões, em função do aumento de 54% do provisionamento com devedores duvidosos, que encerrou o trimestre em R$ 39,8 milhões.

A expectativa é reduzir essas reservas em 2014 com a adoção de melhor análise de crédito, além de melhorar a conversão de estudantes com dificuldades de pagamento para o Fies, programa de financiamento estudantil do governo.

A empresa também informou que as equipes internas passam a ter sua remuneração variável atrelada à melhoria de recebimento.

O Ebitda foi de R$ 69,6 milhões entre outubro e dezembro, alta de 37,1% na comparação anual.

Do lado operacional, a receita líquida aumentou 19,1%, a R$ 432,4 milhões, beneficiada pelo aumento do ticket médio e pelo crescimento de 1% na base de alunos.

No ano, o lucro foi de R$ 125,4 milhões, recuo de 17,5% sobre 2012.

As ações da Anhanguera caíam 1,44% nesta segunda-feira (17) na Bovespa, cotadas a R$ 12,29 (às 14h49).

Em 2014, a Anhanguera tem uma proposta de orçamento de capital de R$ 205,5 milhões, sendo R$ 62,8 milhões utilizados em novas unidades, e outros R$ 30,3 milhões em tecnologia. O restante será destinado a investimentos em adequação e expansão.

A Anhanguera também propôs o pagamento de R$ 1,191 milhão em dividendos referentes a de 2013, correspondentes a R$ 0,002726078 por ação, o que será deliberado em assembleia marcada para 22 de abril.

Fusão com Kroton

As melhorias operacionais esperadas pela Anhanguera vão se refletir na nova companhia gerada pela fusão com a Kroton, disse Valério.

A Anhanguera afirmou que a fusão com a Kroton Educacional "segue avançando", em referência à aprovação junto ao Cade e planejamento de integração. O Cade tem até junho para julgar o processo.

"A frente de planejamento de integração está bastante avançada e a gente está aguardando o processo junto ao Cade para poder consolidar a operação", adicionou.

Em 2013, as despesas relacionadas com fusões e aquisições foram de cerca de R$ 3 milhões, enquanto para 2014 elas devem atingir R$ 20 milhões, segundo estimativas dos executivos da Anhanguera.

Nos últimos dias, circularam notícias sobre o suposto interesse da Kroton em renegociar com a Anhanguera os termos da associação que criará a maior empresa de educação do País em função da ampliação da diferença entre o valor das ações das duas companhias desde a celebração do acordo.

No fim de fevereiro, as empresas informaram que todas as condições previstas na assinatura da fusão estavam mantidas.

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