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De olho num mercado que compra mais de cem aviões por ano, canadense se antecipa à Embraer, que finaliza seu modelo, e demonstra aeronave de US$$ 13,8 milhões

Brasil Econômico

Se na aviação comercial a Bombardier corre contra o tempo para lançar a C Series (linha de equipamentos com capacidade média de 120 passageiros) e reforçar a concorrência com os E-Jets da Embraer, no segmento executivo leve a disputa ganha contornos opostos.

Enquanto a companhia brasileira entra na fase final do Legacy 450, jato que realizou seu primeiro teste de voo no dia 28 de dezembro do ano passado, a Bombardier já parte para o ataque ao mercado em busca de encomendas para seu novo Learjet 75.

Learjet 75, novo jato executivo da Bombardier
Divulgação
Learjet 75, novo jato executivo da Bombardier

Com capacidade para 8 pessoas e autonomia na casa de 4 mil quilômetros, características semelhantes ao protótipo da Embraer, o jatinho canadense, lançado a potenciais clientes na América do Norte e na Europa em novembro último, agora chega ao Brasil.

Os equipamentos mid-light estão situados entre as aeronaves de pequeno porte e menor autonomia e os aviões executivos com capacidade intercontinental.

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Ontem, em São Paulo, Jean Christophe Gallagher, vice-presidente de marketing da Bombardier para a aviação executiva formalizou a entrada do produto de US$ 13,8 milhões no portfólio da Líder Aviação, que desde agosto do ano passado comercializa com exclusividade no país as aeronaves canadenses.

A disposição da Bombardier em marcar território tem fôlego de longo prazo, segundo Gallagher. “Para nossos negócios, acreditamos que a América Latina será maior que a China nos próximos 20 anos”, vislumbra.

Nas próximas duas décadas, o mercado global de aviação executiva deve incluir 24 mil novas aeronaves, com 10% do movimento na América Latina. “Estamos falando de um potencial de mercado de 2.300 a 2.400 aviões, sendo que dois terços desse volume certamente serão respondidos por Brasil e México. E essa é uma perspectiva conservadora”.

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Pelos cálculos da Bombardier, toda a América Latina deve alimentar um ritmo de aquisição de 120 novos aviões anualmente. Mas, segundo os últimos dados da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), em 2012 já foram adicionados 101 novos jatos somente na frota executiva nacional, crescimento de 16% sobre o ano anterior. Em 2013, a perspectiva da Abag, que divulgará seu anuário no próximo mês de agosto, é consolidar números ainda mais robustos, reforçando a posição de liderança do Brasil em ritmo de crescimento. “Em números absolutos, o Brasil só não compra mais do que os Estados Unidos e a Europa”.

Com 30% de market share global no segmento (o dobro em relação à Embraer), a Bombardier espera fechar o ano com 200 unidades entregues, sendo cerca de 25 para o Brasil. Mas projetar as vendas do Learjet 75 é algo que ainda não faz parte do discurso. “Por razões de competitividade, nós estamos cuidadosos sobre isso, mas sabemos que ele é muito forte para atender a uma categoria que ainda não tem muitos concorrentes”, explica Gallagher.

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