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Produção de 26 mil unidades por ano deve suprir a demanda no País, que pode dobrar até 2020, acredita presidente da montadora alemã

A montadora alemã Audi , braço da Volkswagen, vai desembolsar R$ 440 milhões de capital próprio para voltar a produzir os veículos da marca no Brasil, afirmou nesta terça-feira (11) o vice-presidente mundial de compras da empresa e idealizador do projeto, Bernd Martens.

Durante evento na fábrica da montadora em Ingolstadt, Alemanha, o executivo confirmou que serão produzidas 26 mil unidades por ano no País, com previsão de início para o primeiro semestre de 2015. No ano passado, a Audi vendeu 6,6 mil veículos em território nacional.

“Acreditamos que as 26 mil unidades irão suprir a demanda interna pelos carros da marca, e não precisaremos mais importar os veículos produzidos fora”, afirmou o executivo ao iG . A montadora não tem planos para exportar a produção nacional.

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No fim do ano passado, a Audi anunciou que fabricará os modelos A3 Sedan (o mais vendido no Brasil no início deste ano) e Q3 na fábrica da Volkswagen, em São José dos Pinhais (PR). A montadora chegou a fabricar o A3 hatch no mesmo local, mas o projeto foi interrompido em 2006.

Audi e uma das inhas de produção na Alemanha: InovarAuto ajudou na escolha do Brasil
Divulgação
Audi e uma das inhas de produção na Alemanha: InovarAuto ajudou na escolha do Brasil

De acordo com Martens, o principal incentivo para a marca decidir retomar a produção no País foi a adesão ao InovarAuto, que prevê dedução de 30% do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para cotas de veículos fabricados e vendidos no Brasil.

“Este benefício permitirá termos um preço mais competitivo de nossos veículos no mercado brasileiro, tornando-o mais acessível”, diz o executivo., que preferiu não responder se haverá redução do preço dos automóveis beneficiados pela dedução do imposto.

Martens também admitiu que o recente aumento do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para veículos importados, em 30%, foi outro fator decisivo para retomar a produção por aqui.

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A nova linha do A3, que utilizará a mesma plataforma do Golf, vai gerar cerca de 350 novos empregos na unidade. Já o Q3, com previsão de início de fabricação no segundo semestre de 2015, terá uma área própria já disponível na fábrica paranaense.

O montante investido na produção brasileira integra os € 22 bilhões que a marca vai injetar globalmente, até 2018, em inovação e novas estruturas. No Brasil, a maior parte do dinheiro será destinada às areas de carroceria, montagem e pintura dos veículos.

Mercado de luxo aposta pesado nos emergentes

O mercado de carros de luxo no Brasil representa, hoje, em torno de 1% do total das vendas de veículos. Ainda assim, o País e seus pares emergentes, como o México e China, são as maiores apostas da montadora para os próximos anos – enquanto as vendas afundam na Europa.

Para o presidente executivo da Audi, Rupert Stadler, o Brasil é um dos mercados mais promissores para o setor de luxo entre os emergentes.

“Nós vemos o País em boa posição a esse respeito: a dívida pública e externa é baixa se comparada a outros mercados emergentes. O País é rico em matéria-prima, garantindo recursos confiáveis”, afirmou à imprensa nesta terça-feira.

Stadler destacou, também, o crescimento da classe media brasileira e o perfil jovem da população como aspectos favoráveis para a maior demanda por bens de luxo.

“De acordo com estudos recentes, a procura por automóveis de luxo no Brasil vai dobrar – alguns dizem que pode até triplicar até 2020”, completou o executivo.

Além do Brasil, o México receberá até 2016 uma fábrica da Audi para a produção do Q5, que também será exportado ao País. Em 2013, a Audi abriu unidades na China e na Hungria, e deve passar a produzir mais carros no exterior do que na Alemanha, ainda em 2014.

* A jornalista viajou a Ingolstadt (Alemanha) a convite da Audi
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