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Recursos devem ser usados para ajudar a financiar o plano de negócios da companhia de 2014 a 2018

Reuters

A Petrobras precificou nesta segunda-feira (10) uma oferta de US$ 8,5 bilhões em bônus no exterior, em seis tranches com vencimentos em três, seis, 10 e 30 anos, com a demanda pelos papéis superando os US$ 22 bilhões.

Havia expectativas de que a estatal lançasse montante recorde, acima dos US$ 11 bilhões obtidos em operação similar em maio do ano passado, o que acabou não acontecendo.

-Leia também:  Petrobras bate novo recorde de produção no pré-sal em fevereiro

Pela manhã, em resposta ao anúncio da emissão, a diferença entre o rendimento dos bônus da Petrobras no exterior e dos Treasuries com prazo equivalente aumentou no mercado secundário, com a curva de rendimento dos bônus da Petrobras inclinando cerca de 15 pontos básicos.

A Petrobras padece de alto endividamento e defasagem dos preços dos combustíveis
Divulgação/Petrobras 5.05.2006
A Petrobras padece de alto endividamento e defasagem dos preços dos combustíveis

As ações preferenciais da Petrobras fecharam em baixa de 2,3%, com o mercado preocupado com o crescimento da dívida da petroleira.

A operação envolve US$ 1,6 bilhão em bônus com vencimento em três anos e spread de 250 pontos básicos sobre Treasuries, US$ 1,4 bilhão em papéis de três anos com spread de 236 pontos sobre a Libor de três meses.

Inclui ainda títulos com prazo de seis anos: US$ 1,5 bilhão com spread de 330 pontos básicos sobre Treasuries e outros US$ 500 milhões com spread de 288 pontos sobre a Libor de três meses.

Além disso, há US$ 2,5 bilhões em papéis de 10 anos com spread de 350 pontos sobre Treasuries e, finalmente, US$ 1 bilhão em bônus de 30 anos com 360 pontos sobre Treasuries comparáveis, segundo o IFR.

Coodernadores da operação

Os coordenadores da operação são HSBC, JPMorgan, Citi, Bank of China, BB Investimentos e Bradesco BBI.

A agência de classificação de risco Fitch definiu nota "BBB" para a emissão.

Os recursos captados pela Petrobras devem ser usados para ajudar a financiar o plano de negócios da companhia de 2014 a 2018. Os investimentos da empresa estimados para o período de cinco anos foram reduzidos em quase 7% em relação ao plano anterior, ainda assim para o robusto montante de US$ 220,6 bilhões.

A Petrobras padece de alto endividamento e defasagem dos preços dos combustíveis no mercado interno na comparação com os preços internacionais, além de estar enfrentando obstáculos para elevar sua produção.

No ano passado, a Petrobras foi classificada como a empresa mais endividada do mundo em um relatório do Bank of America Merrill Lynch. A empresa vem aumentando o tamanho de suas emissões de bônus em dólares ano após ano, pelo menos desde 2009, elevando os custos de financiamento.

Em maio de 2013, a Petrobras protagonizou a maior captação de bônus em dólares por uma companhia da América Latina, ao vender US$ 11 bilhões nos mercados internacionais. Também foram seis tranches com prazos entre três e 30 anos, e a demanda naquela ocasião superou os US$ 50 bilhões.

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