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Pacote para comércio e indústria inclui parcerias com fabricantes e subsídio para compra de aparelhos movidos a gás

Com uma economia de até 30% no custo operacional em relação ao sistema convencional elétrico, linhas de crédito para atrair novos consumidores e a ampliação do portfólio de equipamentos através de novos parceiros, a Comgás, empresa do grupo Cosan que opera os gasodutos paulistas, pretende firmar 2014 como o ano do ar condicionado movido a gás natural. Neste mês, a companhia apresenta ao mercado um programa estratégico para a difusão do GHP (Gas Heat Pump), sistema de resfriamento de ambientes que utiliza o gás ao invés da energia elétrica, com a previsão de saltar dos atuais seis mil pontos instalados ao longo dos últimos sete anos para 12 mil nos próximos dez meses.

Comgás pretende firmar 2014 como o ano do ar condicionado movido a gás
Thinkstock/Getty Images
Comgás pretende firmar 2014 como o ano do ar condicionado movido a gás

As primeiras instalações da tecnologia, que é destinada à indústrias e grandes empreendimentos como shoppings, hotéis, hospitais, supermercados e edifícios comerciais, foram feitas pela Comgás em meados de 2006. De lá para cá, segundo Luis Henrique Guimarães, diretor-presidente da Comgás, foi feito um trabalho de desenvolvimento, testes e aprimoramento de um modelo que, ainda incipiente, também exigia investimentos mais elevados.

E foi na metade do ano passado, após a Cosan assumir o controle da empresa de gás, que veio a decisão para uma aposta mais robusta. Entre os departamentos de marketing e comercial, foi então criado um setor estratégico que, para além da parceria que já existia desde o início com a Panasonic, agora formalizou a entrada de duas novas provedoras de equipamentos: a Yanmar (marca do grupo Toyota) e a LG. Outras duas fabricantes ainda podem entrar na lista de fornecedores da Comgás, totalizando cinco.

Se na década passada o investimento em uma central de ar condicionado a gás custava o dobro da convencional, movida a eletricidade, agora a diferença das soluções que serão ofertadas ficará na casa de 25%, por conta da gama reforçada de equipamentos. E com uma linha de crédito para o cliente final, a Comgás espera praticamente igualar o preço. “Isso vai depender de cada cliente. Cada caso é um caso”, resume Guimarães, que mantém sob sigilo o volume total de investimentos nessa linha. O custo de uma central varia entre centenas de milhares de reais podendo chegar a R$ 3 milhões.

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E em um movimento paralelo que pode reforçar a aposta da Comgás, o governo de São Paulo, através da Secretaria de Energia, estuda o lançamento de um pacote para acelerar a difusão do GHP, que consistiria em reduções tributárias para os equipamentos, além da reestruturação da política de preços e custos do gás natural. No âmbito federal, a Frente Parlamentar Mista Pró-Gás Natural discute um plano de incentivo à fabricação nacional dos dispositivos, que são todos importados da Ásia. Discussões essas que estão relacionadas ao aumento da demanda e à necessidade de diversificação de matrizes — segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a demanda comercial foi a maior responsável pelo aumento de 18,4% no consumo de energia elétrica em janeiro último (na comparação com o mesmo mês de 2012), quando o período da tarde apresentou um inédito horário de pico puxado pelos aparelhos de ar condicionado. “Às 15h não havia chuveiro ligado, micro-ondas ou iluminação pública, que são os responsáveis pelo tradicional pico do início da noite. É por isso que tivemos uma mudança. E os sistemas de resfriamento responderam consideravelmente por isso”, explica Alexei Macorin Vivan, diretor-presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE).

“A cultura de utilização do gás está atrelada aos países frios onde ele é usado para aquecer as casas. O Brasil certamente vai entender que ele pode ser o primeiro país de clima quente onde o gás pode ser usado para resfriar o ar”, reforça Guimarães, que pretende posicionar suas equipes de vendas para atuar junto aos engenheiros e projetistas das construtoras e incorporadoras.

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Além das futuras edificações, a empresa buscará a aproximação em empreendimentos já consolidados cuja vida útil dos sistemas de resfriamento se aproxima do fim. “É o que chamamos de retrofit. O GHP cabe perfeitamente nessa etapa”, explica Pedro Luiz Silva, gerente de marketing industrial da companhia.

No futuro, a expectativa da Comgás é ofertar a solução para a base de clientes posicionada no segmento residencial. Mas isso ainda esbarra na falta de tecnologia, segundo a companhia.

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