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Acordo prevê também que a companhia assumirá dívidas da empresa de energia de R$ 856 milhões

Reuters

A CPFL Renováveis anunciou nesta segunda-feira (17) a incorporação da Dobrevê Energia (Desa), uma das principais empresas independentes de energia renovável do Brasil, em negócio que pode envolver R$ 1,5 bilhão.

O acordo permitirá à CPFL Renováveis elevar em 18,5% sua capacidade instalada contratada atual, que passará de 1.786,6 MW para 2.117,4 MW. A Desa tem um total de 331 MW de capacidade total contratada.

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Pelo acordo, o fundo de investimento em participações FIP Arrow, que controla a Desa, assumirá participação de 12,63% no capital da CPFL Renováveis, diluindo as participações da controladora, CPFL Energia, e dos sócios atuais da companhia — Pátria, Eton Park, BTG Pactual, Bradesco BBI, GMR Energia, KFW e Previ.

O valor da fatia a ser assumida pelo FIP Arrow na CPFL Renováveis, segundo a cotação de fechamento da ação da companhia na sexta-feira (14) — de R$ 12,70 — é de cerca de R$ 708 milhões.

A Desa tem um total de 331 MW de capacidade total contratada
Nadir Gabiatti
A Desa tem um total de 331 MW de capacidade total contratada

O acordo ainda prevê que a CPFL assumirá dívidas da Desa de cerca de R$ 856 milhões, afirmou o presidente da CPFL Renováveis, André Dorf.

O FIP Arrow ingressará como parte no acordo de acionistas da CPFL Renováveis e terá direito de nomear um integrante para o Conselho de Administração da companhia. A controladora CPFL Energia ficará ao final da operação com participação de 51,41% na empresa, ante atuais 58,84%.

O anúncio encerra meses de rumores no mercado sobre negociações entre a CPFL e os acionistas da Desa que incluem a família Weege, controladora do grupo Malwee.

"É a maior associação já feita pela companhia desde 2011", disse Dorf, em entrevista à Reuters. "O mercado de energia está agitado, mas a transação mira o longo prazo (...) A ideia é que os ativos são complementares, o pipeline (a relação de projetos) é complementar." disse o executivo.

Dorf afirmou que a CPFL Renováveis tem uma carteira de projetos 3,8 gigawatts em geração de energia via pequenas centrais hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares. Enquanto isso, a Desa tem projetos para 2,6 gigawatts, dos quais cerca de 1 gigawatt em hidrelétricas e 1,6 em eólicas.

A expectativa dos grupos é que a operação seja concluída até meados do segundo trimestre, após aprovações de instâncias que incluem Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), credores da Desa e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Às 13h45, as ações da CPFL Renováveis tinham valorização de 1,18%, cotadas a R$ 12,85. No mesmo instante, a CPFL Energia recuava 3,64% e o Ibovespa tinha queda de 0,37%.

Segundo Dorf, a CPFL Renováveis segue avaliando oportunidades de fusões e aquisições de maneira "bem seletiva". Mas o grande foco no curto prazo é integrar os 72 ativos de geração", disse ele em referência aos 60 ativos em operação da CPFL Renováveis e aos 12 ativos da Desa.

Além do anúncio da incorporação da Desa, a CPFL Renováveis deve concluir neste trimestre aquisição da Rosa dos Ventos, por cerca de R$ 100 milhões, com recursos da oferta pública inicial de ações da companhia que levantou R$ 1 bilhão em julho do ano passado.

"Vamos seguir com muita disciplina avaliando oportunidades tanto de fusões e aquisições, quanto de realização dos projetos combinados", disse Dorf.

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