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Segundo sindicato, mais 45 funcionários podem ser cortados na próxima semana. Maioria atuava em poços da petroleira, cuja exploração foi suspensa

Em crise, a petroleira de Eike Batista, a OGX, já demitiu 90 trabalhadores este ano e mais 45 devem ser mandados embora na semana que vem. As informações são de Amaro Luiz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Offshore (Sinditob). 

As demissões são cortes de funcionários realizados diante da crise pelo qual passa a empresa, diz Amaro Luiz. Anteriormente, haviam sido pontuais. A OGX entrou com pedido de recuperação judicial em 30 de outubro. O juiz da 4º Vara Empresarial do Estado aprovou a recuperação na quinta-feira (21) . A empresa tem dívidas que somam R$ 11 bilhões.

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O Sinditob representa os funcionários da atividade meio e fim da empresa, ou seja, aqueles que trabalham na costa (offshore), nos poços petrolíferos, e aqueles que gerenciam estes trabalhadores, fora dos campos e geralmente em posições administrativas nos escritórios das empresas.

Segundo Amaro Luiz, cerca de 50% das demissões já ocorridas foram de trabalhadores nos campos petrolíferos cujos investimentos foram suspensos pela empresa.

Em julho, a OGX havia anunciado que cancelou investimentos nos campos de Tubarão Azul , localizado na Bacia de Santos, no Rio de Janeiro.

A companhia concluiu ainda, na época, que não existia tecnologia capaz de tornar economicamente viável o desenvolvimento dos campos de Tubarão Tigre, Gato e Areia.

Amaro Luiz aponta que  as rescisões têm sido pagas conforme previsto na legislação. "Porém, caso falte verba para os pagamentos, podemos bloquear o dinheiro, de forma cautelar. Estamos acompanhando". 

A OGX confirma as 90 demissões. Foram cortados 30 trabalhadores em janeiro e outros 60 no começo deste mês. Cerca de 20% eram terceirizados.

Sobre demissões futuras, afirma, em nota, que, levando em conta os atuais contextos de mercado e empresarial, "vem buscando otimizar seus recursos. Em função disso, adequações no quadro de colaboradores próprios e terceiros vem sendo continuamente avaliados."

Crise 

Empresas, sindicatos e órgãos da Justiça confirmam até agora cerca de 2.590 demissões , diretas e indiretas, com a crise do grupo EBX. Os cortes referem-se a funcionários próprios da OGX e OSX; a empregados em um projeto de estaleiro em Pontal do Paraná (PR), que aconteceram depois de a OSX cancelar uma encomenda; e a 1,6 mil trabalhadores demitidos do Porto de Açu, no Rio de Janeiro.