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Estudo mostra que potencial de expansão do segmento no Brasil ainda é grande. Desafio é diminuir os preços e ampliar a presença para atrair mais consumidores das classes C, D e E

O mercado de fast-food cresce rapidamente no Brasil e neste ano deverá alcançar um faturamento de R$ 50 bilhões, alta de 82%, em valores, se comparado com o ano de 2008. Serão nada menos que 406 mil pontos de venda, informa um relatório divulgado pela Mintel, empresa britânica de pesquisa e inteligência de mercado presente em dez países e que completará, em dezembro, um ano no país. E as previsões são ainda mais animadoras, revela o levantamento. A Mintel prevê um crescimento de 47% no número de lojas de fast-food no Brasil, estimando que haverá 480 mil estabelecimentos até 2018, quando o faturamento do mercado alcançará R$ 75 bilhões.

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A rede Burguer King quer chegar a mil filiais até 2016, com foco no Nordeste, onde considera sua presença “tímida”. Hoje, são 352 lojas

O crescimento será, em grande parte, impulsionado pelos planos das principais cadeias de restaurantes, que estão expandindo seus modelos de franquia, crescendo para cidades menores e ampliando espaço na Região Nordeste. “No entanto, as empresas que pretendem investir nessas áreas do país precisam considerar os desafios em relação à distribuição e às preferências dos paladares regionais. Ao mesmo tempo que muitos consumidores melhoram o seu poder aquisitivo, ainda existe um elevado percentual de brasileiros dos grupos socioeconômicos D e E que não frequentam as cadeias de fast-food”, explica Jean Manuel Gonçalves, analista sênior do setor alimentício da Mintel.

A rede Burguer King é uma das que está em busca de novos mercados. Ariel Grunkraut, diretor de Marketing da marca, destaca que a presença no Nordeste ainda é tímida e que o plano da empresa é chegar a mil estabelecimentos até 2016. “Atualmente são 352 pontos de venda pelo país. O aumento do emprego e da renda ajuda muito. Hoje, 30% das pessoas se alimentam fora de casa com frequência. Nos EUA, este percentual está na casa dos 40%. E devemos chegar ao número dos norte-americanos, o que quer dizer que existe espaço para expansão”, diz o executivo.

Já o diretor geral da marca Bob´s, Marcello Farrel, afirma que o foco da empresa está nas cidades do interior. Com mil pontos de venda, a rede planeja abrir 200 unidades por ano até 2017. “O foco de crescimento continua na interiorização, com a possibilidade de abertura de lojas em cidades com até 60 mil habitantes.”

O consumo de fast-food no Brasil é visto como um deleite, para muitos consumidores, assinala a pesquisa. A maioria dos brasileiros consome fast-food durante seu tempo de lazer nos fins de semana (34%) ou durante o almoço em dias da semana (33%). O jantar ainda está longe de ser uma opção em lanchonetes de fast-food (12%). Atrair clientes dos grupos socioeconômicos menos favorecidos é um desafio para as cadeias de comida rápida. O preço é questão crucial, já que 23% dos consumidores afirmam que preferem comprar em um estabelecimento tipo fast-food por ser mais barato que um restaurante comum.

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