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Ka Concept não tem data para chegar ao mercado nem preço estimado, mas deverá agregar componentes de alta tecnologia

Nesta quarta-feira (13), o presidente da Ford para as Américas, Joe Hinrichs, estava especialmente agitado. Atrás do telão que fazia cenário para o seu discurso, estava escondido o novo produto-chave da montadora no Brasil e no mundo. Trata-se do novo Ka Concept, cujo modelo foi apresentado aos funcionários da Ford nesta manhã, em Camaçari, na Bahia.

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Não era exatamente o carro. O quer Hinrichs apresentou com tanta vibração foi um modelo feito de fibra de vidro, mas vazio por dentro. “O que vocês viram ali é um carro muito próximo do que será produzido, mas não é ele”, explica Rogélio Golfarb, vice-presidente da Ford para o Brasil. “Ele vai ter um tempo para entrar em produção e chegar no mercado.”

Junto com o novo veículo, uma nova perspectiva. A montagem desse modelo deverá elevar a produção local de 250 mil para 300 mil unidades no ano. Mais que o dobro da planta de São Bernardo do Campo, que produz 130 mil.

Bill Ford: “sigo com a filosofia do meu bisavô, que um carro tem de ser acessível para o indivíduo comum.
Bárbara Ladeia
Bill Ford: “sigo com a filosofia do meu bisavô, que um carro tem de ser acessível para o indivíduo comum."

Mas em quanto tempo ele estará nas concessionárias ninguém diz. A previsão de lançamento é para 2014, em qualquer um dos 12 meses do ano. “Por questões competitivas, a gente não vai entregar o ouro”, explica o executivo.

“Preço e data são coisas estrategicamente importantes para a gente do ponto de vista competitivo. E quando a gente não fala o preço, a gente também não diz exatamente o conteúdo.”

Esse é o segundo modelo global da montadora. O Ka Concept, totalmente desenvolvido na fábrica de Camaçari, é um dos frutos do investimento de R$ 4 bilhões entre 2011 e 2015. A empresa não informa o tamanho do investimento separado para o desenvolvimento do novo popular da Ford.

O carro poderá ser produzido também em outras plantas da Ford pelo mundo, “se fizer sentido”, mas Bill Ford, presidente do conselho mundial da montadora e bisneto de Henry Ford, não informa quais outros países poderão fabricar o Ka Concept. “Ainda não estamos preparados para anunciar em quais países ele será produzido”, diz. O executivo também não aponta quais os países que deverão receber a produção brasileira.

O mercado é promissor, nas estimativas de Rogélio Golfarb, vice-presidente da montadora para Brasil e América do Sul. Essa categoria de subcompactos deverá chegar a 6,2 milhões de compradores em todo o mundo até 2017. Ásia e América do Sul serão os principais alvos, recebendo 44% desse volume.

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Em termos de exportação, neste ano, o principal mercado da Ford tem sido a Argentina. Ainda que aponte os tradicionais “desafios de custo”, onipresentes no discurso do empresariado nacional, Golfarb aponta boas expectativas. “O volume de vendas neste ano pode ser próximo do recorde. A grande taxa de crescimento de exportações que temos visto está lá, na Argentina.”

Custo-benefício

O preço do carro também é um mistério. Golfarb garante que o Ka Concept deverá seguir como um carro de entrada. Com isso, seus principais concorrentes seguem sendo o Gol, da Volkswagen, e o recente HB20, da Hiundai. “O carro de entrada tem uma faixa de preço estabelecida pelo mercado, vamos ficar dentro dessa faixa com mais conteúdo tecnológico disponível”, diz.

Esse conteúdo, segundo Bill Ford, deverá estar relacionado, majoritariamente, à conectividade e automação. “Estamos pensando em ferramentas que envolvem startups e empresa de alta tecnologia de diversos setores”, comenta

. “Se você pensar em computação em nuvem, em carros que andam sozinhos e que estacionam sozinhos. Isso tudo vai mudar o nível de tecnologia dos carros muito antes que esperamos”, afirma o presidente do conselho mundial da Ford. “É um momento realmente interessante para estar no mercado automotivo. A tendência é acelerar.”

No entanto, Ford ressalta que esse tipo de tecnologia “tende a ser mais cara no início”, mas afirma buscar uma fórmula. “Sigo com a filosofia do meu bisavô, que um carro tem de ser acessível para o indivíduo comum. Estamos apresentando um carro tecnológico por um preço que as pessoas possam pagar.”

Perspectivas

Bil Ford não se mostra preocupado com os resultados das eleições do próximo ano. “Lidamos com eleições, questões tributárias e incentivos em nossas unidades no mundo inteiro. Em todo País há questões que são importantes para a gente, então cuidamos das questões pontuais, mas estamos preocupados sim com o longo prazo”, afirma. “O fato de continuarmos produzindo conhecimento aqui é o que realmente mostra o que a Ford pensa.”

A Ford pensa, inclusive, que seus funcionários da planta de Camaçari são os melhores do mundo — assim foram eleitos pela companhia. “Temos uma fantástica força de trabalho aqui”, diz. "A fábrica de Camaçari tem uma responsabilidade global e desenvolver esse tipo de plataforma é muito mais difícil."

Justamente por isso, Bill Ford não descarta a possibilidade de novos lançamentos globais partindo da unidade baiana. “Não vamos adiantar nenhum projeto, mas não há qualquer razão que nos impeça de fazer isso novamente por aqui.”

*A repórter viajou a convite da Ford