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Apesar de calote não ser "técnico", para executivos do mercado financeiro dificilmente pagamento será feito em apenas 30 dias

Eike Batista: situação se complica para a empresa e o controlador
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Eike Batista: situação se complica para a empresa e o controlador

A OGX, petroleira de Eike Batista, anunciou nesta terça-feira (1º), em fato relevante, que não irá pagar os juros de bônus remuneratórios aos seus credores no valor de US$ 45 milhões. Apesar de ressaltar que ainda tem 30 dias para evitar uma penalização, executivos do mercado financeiro são pessimistas com relação ao futuro da empresa. 

Leia também: Petroleira de Eike, OGX opta por não pagar juros de dívida milionária

Isso porque consideram que o período de "cura" é muito curto para resolver os diversos problemas da petroleira, como a pouca geração de caixa, e a dificuldade de obter novos financiamentos. 

Caso a empresa não entre em acordo com os credores neste prazo, entra em default automático. Neste caso, além da dívida que não foi paga, outras dívidas com bancos poderiam ter de ser pagas imediatamente. Isso porque, no mercado, é padrão que haja uma cláusula com esta previsão, ainda mais no caso de empresas nascentes.

Os detentores de títulos de dívida sênior têm prioridade no pagamento em caso de falência, e podem ter ou não garantias reais, como o aval do controlador Eike Batista ou de ativos, que têm sido uma saída no caso de outras empresas do grupo EBX.

Mas as garantias reais são pouco prováveis, ainda mais considerando o período de emissão dos títulos. "Tanto o aval de Eike quanto os ativos da OGX não valem muito atualmente", diz um executivo, que não quis se identificar. Mesmo a garantia de contratos futuros de óleo têm pouca atratividade agora sem produção. 

Recuperação judicial 

A saída mais provável, portanto, é que a empresa peça recuperação judicial. Caso isso aconteça, teria 180 dias, por lei, para entrar em acordo com os credores e anunciar como irá efetuar o pagamento da dívida, que soma US$ 3,6 bilhões apenas em bônus no mercado internacional.

Em último caso, teria a falência decretada. Neste caso, toda a dívida entra em sua massa falida e todos os credores perdem parte das aplicações.

Luz no fim do túnel

Neste momento, os credores da empresa buscam negociar em conjunto uma saída. Isso porque, em caso de falência, pode demorar anos para que tanto credores quanto investidores, que serão os últimos da fila, reavejam parte do total investido.