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Em dois anos, recursos destinados ao desenvolvimento de novas tecnologias quase triplicou

Patrick Teyssonneyre, diretor de inovação da área de polímeros da Braskem: mais ousadia
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Patrick Teyssonneyre, diretor de inovação da área de polímeros da Braskem: mais ousadia

Para diminuir a dependência das exportações de plástico e escapar da ampla concorrência no mercado internacional, bem como ampliar a fatia em um mercado do qual já detém 70%, dependendo do produto. a Braskem pretende ampliar sua participação no Brasil. Para isso, aposta cada vez mais em inovação para ganhar novos mercados.

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Considerada a sétima maior petroquímica global e controlada pelo grupo Odebrecht, ela quase triplicou, em dois anos, do início de 2010 até o final do ano passado, os investimentos em seu centro de pesquisas para desenvolvimento de novas tecnologias: o volume de recursos passou de R$ 65 milhões para R$ 188 milhões. 

O registro de patentes, necessárias para proteger novos processos, também cresce à medida que os projetos são cada vez mais estratégicos e inéditos no mercado. Foram 30 depositadas em 2010 e 2011 e 47 em 2012, um total de 650. No primeiro semestre deste ano, mais 36 patentes foram registradas.

Patrick Teyssonneyre, diretor de inovação da área de polímeros da Braskem, revela que a companhia tem hoje seis grandes projetos no portfólio que serão lançados no mercado nos próximos três a cinco anos com o objetivo de entrar em novos mercados.

Em comum, exigem grandes investimentos e são de médio a longo prazo, já que necessitam de grandes adaptações e até o desenvolvimento de novas resinas. "Quase temos que mudar o DNA dos polímeros que produzimos hoje", conta o executivo. 

Eles devem atender o maior pedido dos clientes da empresa: aumento de produtividade, além de redução do consumo de energia elétrica e peso dos materiais, que podem proporcionar grande economia.

O executivo está à frente do Centro de Tecnologia e Inovação localizado no Polo Petroquímico de Triunfo (RS), que completa dez anos com mais 300 projetos implantados e valor presente líquido de US$ 1,2 bilhão. Nos últimos três anos foram lançados 64 novos produtos, que já representam 18% do volume de vendas de resinas termoplásticas.

Iniciativas recentes já apontam o esforço para ampliar a área de atuação: são produtos como as telhas de PVC e os tanque de combustível de plástico. "O tanque foi algo que levamos cinco anos para desenvolver ao lado de um trabalho intenso junto com as montadoras", conta o executivo. 

O início da transformação parece ter sido 2006, quando, a partir de aquisições, a empresa ganhou musculatura, passou a atuar nos Estados Unidos e a Europa e consolidou sua posição no mercado.

Antes, diz Teyssonneyre, o foco era "copiar" novas tecnologias de forma rápida, sem pedir propriedade intelectual. "Não vamos nos perpetuar se não rompermos limites tecnológicos para estar na vanguarda. O objetivo é lançar, e não seguir tendências". 

Parece que a estratégia vem dando resultados. Uma das plantas da Braskem no País, que Teyssonneyre não revela o nome, já conseguiu reduzir a fatia de exportação de 80% para 40%.

Importação de mão-de-obra

No caminho para inovar, existem entraves. Segundo Teyssonneyre, eles não estão focados tanto em financiamento, apesar da burocracia que envolve a contratação de financiamentos, mas, sim, em mão de obra.

A petroquímica, que tem um centro de pesquisa em Pittsburgh, nos Estados Unidos, com o qual compartilha projetos e informações, principalmente no segmento de polipropileno e relacionados ao setor automotivo; cogita importar mão-de-obra não apenas dos Estados Unidos, mas também da Europa. "Faltam pesquisadores com as competências necessárias e vontade de trabalhar com a indústria", resume o executivo. 

Algumas vagas abertas no centro de Triunfo demoram até oito meses para serem preenchidas. O problema não é necessariamente competências técnicas do segmento. "Muitos candidatos não têm inglês adequado para o cargo. Trabalhamos muito ao lado do centro dos Estados Unidos". 

O registro de patente no Brasil é demorado: dura de cinco a oito anos. A empresa conversa com associações e governo para acelerar este processo.

Plástico verde

De acordo com o executivo, o plástico verde, produzido a partir do etanol de cana-de-açúcar e que colabora para reduzir a emissão de gases no meio-ambiente, continua na prateleira da na área de inovação, mas ainda é um nicho de mercado, ainda mais em um cenário de pressão de custos nas empresas. "Hoje poderíamos dobrar a produção, mas faltam pedidos".

O lançamento mais recente foi a nova linha de baixa densidade, uma família adicional do plástico cuja produção anual será de cerca de 30 mil toneladas. Este ano a petroquímica também firmou contrato com a Tetrapak para oferecer o plástico para embalagens.

* A repórter viajou a convite da Braskem

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