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Segundo IDC Brasil, sistema operacional da Microsoft supera em 0,2% as vendas do iOS no segundo trimestre deste ano - e abre novas perspectivas para a aquisição da empresa

Steve Ballmer e Stephen Elop, presidentes da Microsoft e da Nokia, respectivamente
Getty Images
Steve Ballmer e Stephen Elop, presidentes da Microsoft e da Nokia, respectivamente

O anúncio de compra da Nokia pela Microsoft nesta madrugada – por R$ 17 bilhões – vem em momento oportuno para a gigante de tecnologia fundada pelo magnata Bill Gates. Segundo o último levantamento do IDC Brasil, consultoria especializada no setor, pela primeira vez na história o número de vendas de smartphones com sistema Windows Phone ultrapassou os resultados do iPhone, da Apple.

A polarização é clássica, mas traz um ponto de inflexão no mercado de smartphones. No segundo trimestre deste ano, segundo o levantamento do IDC Brasil, que apura os negócios entre indústria e varejo – e portanto se antecipa às vendas ao consumidor final – Gates já vence Steve Jobs por 0,2% na América Latina. A mudança do cenário traz novos ares para a Microsoft em pleno movimento de aquisição de uma das mais tradicionais fabricantes de celulares e smartphones do mundo.

Esse é um dos principais motivos pelos quas Leonardo Munin, analista do IDC, acha a aquisição positiva. Para o médio e longo prazo, uma nova potência no mercado de smartphones pode ganhar relevância a partir da fusão de forças entre Nokia e Microsoft.

Mercado de ações não respondeu bem
AP
Mercado de ações não respondeu bem

Por ora, no entanto, para o consumidor final, nada muda. Munin acredita que até que as estratégias estejam remodeladas, é bem provável que o público passe a ver mais – e melhor – a linha Lumia de smartphones. “É um grande produto que vinha pouco trabalhado pela fabricante”, conta. “Já vínhamos escutando que havia esse descompasso entre a Nokia e a Microsoft sobre o que eles pensavam para o Lumia”, comenta.

Para ambas, o mar de smartphones não estava para peixe. Segundo o Gartner, no Brasil, por exemplo, a Nokia passou de uma participação de 66,2% no mercado em 2008 para tímidos 8,7% em 2012 – é 3,5% no primeiro semestre deste ano.

Daí o pessimismo do mercado, que não recebeu a boa nova com muita euforia. As ações da Microsoft (MSFT) na Nasdaq – o índice acionário de tecnologia de Nova York – amargavam uma queda de 5,96% às 13h32 (horário de Brasília) desta terça-feira (03), cotadas a US$ 31,41. Já os papéis da Nokia na NYSE seguiam o caminho oposto, marcando a maior alta do dia, com valorização de 35,51% às 13h37, com valor unitário de US$ 5,09. A escalada dos ativos ajudava a impulsionar os demais índices que incluem a empresa em mercados de outros países.

Munin destaca que, ao passo em que a Nokia “perdeu o timing de entrada” no mercado de smartphones, a Microsoft já se mostrava insatisfeita com a estratégia de mercado adotada pela finlandesa.

Com isso, o principal foco da empresa fundada pelo magnata Bill Gates deve recair sobre os esforços de marketing e divulgação, uma vez que a Nokia já é mais que consolidada no mercado de hardwares de telefonia móvel – área fora das principais competências da Microsoft.

Galeria de Fotos: Conheça os celulares da linha Lumia, da Nokia

Ao contrário dos primeiros tiros da Apple no mercado móvel, a Microsoft não deve mirar um mercado de alta renda. “No primeiro trimestre, 62% dos smartphones estavam sendo vendidos em mercados emergentes”, complementa. “A linha de produtos mais baratos é uma clara tendência. Até a Apple já está buscando quando pensa em um modelo de smartphone mais acessível para atender melhor os mercados emergentes.”

Estratégia corporativa

Com a aquisição, a Microsoft busca dar um novo papel à divisão de tecnologia móvel – setor que nunca foi o ponto forte da gigante. Junto com a operação, começaram, naturalmente, as especulações em torno da nova posição de Stephen Elop, até então presidente da Nokia.

Ele é um dos mais cotados para assumir a cadeira ocupada por Steve Ballmer, que já anunciou sua saída da presidência para o próximo ano. Para Munin, a decisão de compra da finlandesa pode ter sido um passo estratégico para o que pode ser uma mudança de paradigma.

Veja também: Entenda: Aquisição coroa dois anos de parceria entre Nokia e Microsoft

“Colocar o presidente da Nokia no comando da Microsoft mostra uma nova visão de negócio da empresa”, diz. “Pelo que acompanhei, a empresa já vinha insatisfeita com os resultados e precisava de um certo choque de gestão.” (*colaborou Taís Laporta)