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O Airbnb chegou há pouco mais de um ano no Brasil e oferece 15 mil anúncios de espaços para alugar. Entre eles, quartos em casas de famílias de alta renda e até praias privadas

Ilha de Piedade, no Rio de Janeiro, anunciada no site AirBnb. Aluguel por dia custa a partir de R$ 20 mil
Reprodução: Airbnb
Ilha de Piedade, no Rio de Janeiro, anunciada no site AirBnb. Aluguel por dia custa a partir de R$ 20 mil


Parece que a proposta pegou. O site de aluguel de quartos, apartamentos e casas Airbnb, com foco em estadias curtas, chegou há um ano e três meses no Brasil com mais de 10 mil anúncios. Entre eles, chamam a atenção casarões e casas descoladas em bairros valorizados de São Paulo e do Rio de Janeiro, e até uma ilha particular em Angra dos Reis, no Rio, que pode ser alugada por R$ 20 mil por dia. 

Leia também: Alugam-se quartos em casarões e 'puxadinhos de luxo' em São Paulo

O Airbnb nasceu em plena crise nos Estados Unidos, em 2008, quando seus três fundadores mal conseguiam pagar o aluguel, conta Christian Gessner, diretor geral do site no Brasil. "Eles estavam em busca de uma grande ideia. E descobriram que muitas pessoas, principalmente senhoras de 50 anos, aceitavam hospedar jovens, muitos deles mochileiros". 

Por conta do cenário econômico pouco favorável, o site teve dificuldades para arrecadar investimentos. Até que encontrou investidores anjos em 2010 dispostos a arriscar.

No Brasil, o mercado mais importante é o Rio de Janeiro, onde o site reúne mais de 5 mil anúncios, cada um com uma média de 3,9 leitos, seguido por São Paulo, com mais de 1 mil anúncios. As cidades já se equiparam a Nova York e Paris em oferta de anúncios. Metade deles anúncios são de espaços compartilhados, quartos para alugar em casas e apartamentos. O foco são estrangeiros, mas 40% dos hóspedes são brasileiros, em viagens de turismo ou negócio.

Gessner acredita que cidades como o Rio têm potencial para estar entre as primeiras do site no mundo em termos de faturamento e número de anúncios. "A Copa e Olimpíada vão dar um incentivo para o mercado. Quando começamos, muitos disseram que havia desconfiança entre os brasileiros, que eles não iriam abrir suas casas. Hoje vemos que isso não era verdade". 


Cara de aluguel

Apesar de ter foco em hospedagens, é possível alugar os quartos oferecidos no site por períodos mais longos. Gessmer, porém, afirma que os anúncios com caráter de aluguel, a partir de um mês, não passam de 10% do total oferecido pela empresa. Nestes casos, hóspedes e anfitriões podem negociar o preço da estadia em um ambiente privado.

Isso porque o grande trunfo do site parece ser o pagamento das estadias, que fica ao seu encargo a partir de cobrança de uma taxa tanto para o anfitrião como para o hóspede pela intermediação. "Isso evita constrangimentos entre hóspede e anfitriões", conta Gessner.

Segundo o executivo, usuários apontam que conseguem ganhar mais dinheiro com hospedagens em casa que em seu emprego, e até poupar para viagens. "As principais motivações deles é ganhar um dinheiro extra e conhecer outras culturas". 

O Airbnb fechou 2012 com 4 milhões de hóspedes no mundo, e 300 mil anúncios. A empresa tem operação em 192 países.

Garantia milionária

Para assegurar que tudo ocorra bem durante a estadia, importante quando se trata de usuários de alta renda, o Airbnb aposta na reputação dos usuários nas redes sociais, e também nos feedbacks de hóspedes anteriores, que avaliam o anfitrião. "Se ele tem 500 amigos no Facebook, isso dá mais segurança". Além disso, o site oferece uma garantia milionária, de R$ 1,8 milhão, que cobre eventuais prejuízos ao anfitrião.

Além disso, o site colocou em operação, recentemente, uma nova tecnologia que permite escanear documentos como identidade e passaporte pela webcam, para verificar se os dados oferecidos por usuários são verdadeiros. No futuro, cogitam implantar também um sistema de verificação de antecedentes criminais.

O Airbnb recomenda que os anfitriões e hóspedes somente aceitem quem tem perfis completos no site, e que não tenham atitudes negativas durante a estadia. "Senão, ninguém irá aceitá-lo mais". O site pode ainda bloquear usuários.

Do lado do hóspede, caso o lugar não fique dentro das expectativas, o site se propõe a oferecer um lugar semelhante ou devolver o dinheiro em poucos dias.

Porém, o site se exime da responsabilidade sobre declaração de impostos e conceitos legais da atividade de hospedagem. "É difícil atuar como consultor de conceitos legais e impostos em cada país onde atuamos. Isso porque a situação jurídica muda em cada cidades e até bairros", diz o executivo.

Sobre os conflitos que o site provocou em Nova York recentemente, Gessmer aponta que foi um caso pontual. "Um dos usuários não estava alugando em conformidade com as leis locais e foi multado. Isso porque a casa não era dele, estava subalocando o espaço. Estamos nos aproximando das prefeituras. Não queremos concorrer com a indústria hoteleira, mas ser uma alternativa", conclui Gessner. 

Concorrência

O sucesso do AirBnb vem atraindo concorrentes, como o Easy Quarto. Há quem já utilize os dois na hora de alugar os quartos. Isso porque o Easy Quarto é mais aberto, e aparece em primeiro lugar quando se busca opções de leitos compartilhados na internet. 

Porém, os próprios usuários constatam que a segurança não é a mesma que a oferecida pelo Airbnb. Isso porque informações, como endereço do imóvel, ficam disponíveis para qualquer usuário.Além disso, não é possível encontrar muitas informações sobre cada anfitrião ou locatário.

Faltam também galerias de fotos do imóvel, oferecida pelo concorrente. Sem isso, o imóvel, vendido como "belíssimo", pode não atender às expectativas de quem aluga. 

É necessário ainda pagar para ser usuário "premium" e conseguir usar todas as funcionalidades do site, como contatar todos os usuários, inclusive por telefone, bem como obter todas as informações sobre o anúncio e atendimento prioritário, "em até 24 horas".

Em promoção, o site cobra R$ 34,90 por mês pelo plano "premium". Sem esse pagamento, os usuários conseguem somente ver anúncios e divulgá-los, bem como contatar apenas usuários premium. 

O Easy Quarto não exibe telefone para atendimento em seu site. Contatado pela reportagem por e-mail, não conseguiu responder à requisição de entrevista a tempo. 

Outros tipos de aluguéis

O AirBnb quer incentivar a cultura do compartilhamento não apenas de imóveis, mas também de outros espaços, e até objetos. "Já temos anúncios de aluguel de fantasia de Carnaval, casas de cachorro, barcos e jet-skys.

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