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Com a imagem abalada há poucos anos, Jaguar Land Rover, adquirida por indianos, quebra paradigmas a partir do Evoque e sonha até com fábrica no Brasil

Brasil Econômico

Land Rover Evoque é o carro mais vendido da marca no Brasil
Divulgação/Land Rover
Land Rover Evoque é o carro mais vendido da marca no Brasil

Moderna, aventureira, resistente, premium. A renovada imagem da Jaguar Land Rover (JLR) hoje, espelhada em um crescimento de 30% de expansão global em 2012, pouco tem a ver com o cenário da companhia há menos de cinco anos. A crise que obrigou a Ford a abrir mão das duas marcas entre 2008 e 2009 tinha indícios de tragédia anunciada em meio à reputação decadente de uma fábrica que demitia centenas de funcionários e ameaçava suspender a produção como resposta à queda nas vendas. Mas sob o guarda-chuva da indiana Tata Motors e a aposta certeira em um projeto de impacto, o LRX, a tempestade passou. E, num cenário mais otimista, a empresa passou a olhar para o emergente mercado brasileiro.

Agora, não bastasse o salto de 18% para 54% de presença no segmento premium nacional de SUVs (Sport Utility Vehicles) em decorrência do aumento de 272% nas vendas da Land Rover de 2009 para cá, com outros 331% de expansão da Jaguar apenas no último ano, a JLR se prepara para injetar ainda mais combustível no país em sua surpreendente de reviravolta.

A decisão tipicamente britânica dos então recém-chegados indianos de manter o centro de desenvolvimento e board das marcas na Inglaterra, além das três tradicionais plantas industriais (Castle Bromwich, Solihull e Halewood) foi interpretada como o primeiro e importante passo no processo de reestruturação. “Todo o DNA das marcas ficou protegido”, resume Flavio Padovan, responsável pelas operações da JLR na América Latina e Caribe. Externamente, ainda em 2008, surge o projeto LRX, um Land Rover conceito que, com boarecepção do mercado, entraria em larga escala de produção em 2011.

“O Evoque não foi, é um sucesso que reflete a fase em que a Tata passou a fazer investimentos pesados em modernização e desenvolvimento de produto”, acrescenta Padovan. Os resultados globais do projeto foram mantidos em sigilo, mas segundo o executivo fizeram o Brasil ganhar força na rota dos anglo-indianos.

Capaz de seduzir os clientes do segmento premium, o utilitário de linhas esportivas, que parte de R$ 170 mil, alcançou 4.143 unidades emplacadas por aqui em 2012. Pela primeira vez na história</CW>, um único modelo Land Rover superou a barreira de 4 mil unidades comercializadas em um único ano (e com boa distância do segundo colocado, o Freelander 2, com 2,4 mil vendas). Números que devem ser repetidos ou superados em 2013, já que o SUV manteve a dianteira no primeiro semestre, com 2,8 mil emplacamentos do total de 5.373. Mundialmente, a projeção para este ano atinge 120 mil unidades vendidas até dezembro, número que estaria próximo de um terço da produção global da JLR.

Com essa boa mola propulsora — acrescida de uma rede varejista ampliada, boa lucratividade, ações de marketing voltadas aos clientes e potenciais clientes, e intensa divulgação nas redes sociais — a Land Rover se distanciou no retrovisor dos concorrentes e pode assumir a liderança no segmento premium de importados em solo nacional. No ano passado, empatou tecnicamente com a BMW, então na dianteira, com 8,2 mil carros vendidos. Uma matemática bem diferente de 2009, quando os recém - chegados anglo-indianos apareceram com 3 mil ante 5,2 mil dos alemães. “Nós podemos dizer com tranquilidade que fazemos os melhores SUVs do mundo. Os nossos clientes mostram isso”, garante Padovan.

Para dar fôlego a essa ultrapassagem, a subsidiária da Tata anunciou na semana passada uma parceria de R$ 2,5 bilhões com o Banco Alfa para uma modalidade de financiamento. Em alguns casos, zero de juro no parcelamento. Contratado há oito meses para administrar a nova frente de trabalho da companhia no país, Frederico Fuchs, gerente da Jaguar Land Rover Serviços Financeiros, pondera que o aporte bancário (R$ 2 bilhões para as vendas no atacado, o floor plan, e R$ 500 milhões para os consumidores finais) deve aumentar o ritmo das atividades.

“É uma ferramenta importante para viabilizar nossos negócios, uma vez que o financiamento é um dispositivo cada vez mais utilizado pelos clientes deste segmento”, explica ele. A montadora conta com 34 unidades da Land Rover no país e outras 10 da Jaguar. Até o ano passado, quando era representada por importadoras, eram apenas três lojas.

Com as três plantas inglesas operando perto da capacidade máxima de produção, a empresa estuda montar mais uma fábrica. O Brasil, mais precisamente o Rio de Janeiro, e a China estão no páreo pela unidade, segundo fontes do setor.