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Desenvolvedoras brasileiras encontram seu nicho de mercado nos dispositivos móveis. Entre as novidades, games didáticos, voltados para treinamentos corporativos e para publicidade

Mercado no Brasil ganha impulso com jogos para smartphones e tablets
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Mercado no Brasil ganha impulso com jogos para smartphones e tablets

O mercado de games sempre foi um segmento restrito para os estúdios brasileiros. Até bem pouco tempo, raros eram os casos de brasileiros com um modelo de negócios sustentável nesse segmento. Novas tendências, no entanto, estão abrindo uma série de alternativas para mudar esse panorama.

“O mercado evoluiu em termos de distribuição. Agora, há grandes oportunidades no desenvolvimento de jogos para mobile", explica Marcos Vinícius Cardoso, consultor da Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Games (Abragames).

O consultor afirma que a criação de jogos para smartphones e tablets já é maior do que para consoles. "Estes novos formatos baratearam também o custos de produção”, completa.

Victor Santoro, executivo-chefe da paulistana Elemental Studio, explica que um jogo para dispositivo móvel ou rede social envolve um investimento de US$ 10 mil a US$ 100 mil, com um período de desenvolvimento de três a oito meses. Já no caso de games para consoles, o aporte mínimo é de US$ 10 milhões e o tempo médio de criação é de um a dois anos.

Criado em 2011, com foco em jogos para dispositivos móveis e redes sociais, o Elemental Studio soma 30 mil downloads de seu aplicativo, em países como Estados Unidos, China, Rússia e Brasil.

A empresa acaba de fechar um contrato com a editora de quadrinhos Red Giant Entertainment, para desenvolver jogos com os personagens da empresa americana. “Essa parceria nos coloca no circuito mundial e vai acelerar nosso plano de atrair novos investimentos”, afirma Santoro.

A exportação começa a aparecer como oportunidade para outros estúdios nacionais. Segundo Eliana Russi, gerente do projeto Brazilian Game Developers, da Abragames, está sendo criado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), um projeto de exportação. “Atualmente, os games entram no programa de softwares”, explica ela.

A catarinense Hoplon, por exemplo, já exportou um de seus jogos para 27 países, em parceria com uma publicadora estrangeira. Atualmente, há quatro games no forno do estúdio.”Nossos novos jogos já nascem com a visão para exportação. Os mercados europeu e americano são mais parecidos com os nossos, mas colocamos Coreia, China e Índia no radar”, diz Guilherme Loureiro, responsável pelo marketing.

O mercado interno também apresenta perspectivas animadoras. De acordo com uma pesquisa elaborada por Cardoso, da Abragames, o mercado deve crescer, em média, 36,6% ao ano em faturamento, nos próximos cinco anos.

Um termômetro para a demanda no país é a Brasil Game Show, maior feira de jogos da América Latina. Em sua 6ª edição, ela dobrou de tamanho e espera receber 150 mil pessoas, em outubro.

Para conquistar uma fatia maior dessa receita, os estúdios brasileiros estão apostando em outras vertentes. Esse é o caso da pernambucana Jynx, que dedica parte de seu negócio à criação de games para publicidade e treinamento empresarial.

Atualmente, 70% de sua receita de R$ 2 milhões vem daí. Os 30% restantes são de jogos para tablets, smartphones e redes sociais.

A empresa investe ainda na Joystreet, que desenvolve jogos para educação. Com uma receita anual de R$ 10 milhões, a Joystreet é usada por 150 mil alunos das redes públicas de ensino de Pernambuco, Rio de Janeiro e Acre. A empresa negocia agora a extensão dessa aplicação para outros oito Estados brasileiros.

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