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Entre o plano de negócios e a entrega há um longo caminho. No caso de quatro das cinco empresas de Eike Batista, essa distância mostra-se maior a cada dia. Em algumas delas chega a beirar o infinito

Brasil Econômico

Plataforma da OGX, na Bacia de Campos
Divulgação
Plataforma da OGX, na Bacia de Campos

A revisão dos planos de negócios de OGX e OSX é a face mais visível da dificuldade das empresas do grupo de Eike Batista em cumprir com seus planos de investimentos. Em graus diferentes, as principais empresas do grupo listadas em bolsa de valores têm atrasado suas projeções. Para analistas, a frustração de expectativas é uma das razões da crise de credibilidade do grupo junto a investidores.

Levantamento feito pelo Brasil Econômico com base em comunicados ao mercado aponta que, das cinco maiores empresas X, quatro têm frustrado expectativas com relação ao desenvolvimento dos negócios. A única que cumpriu os planos divulgados no início da década foi a empresa de energia MPX — não por acaso, a que teve menor queda em bolsa este ano.

A MMX, que há tempos não apresenta projeções para 2013, já anunciou que terá que reduzir o ritmo dos investimentos na produção de minério em Minas Gerais, diante de dificuldades na obtenção de licença ambiental. A LLX continua tocando as obras do porto do Açu, mas teve os prazos dilatados e perdeu investidores, como a siderúrgica chinesa Wuhan.

“A EBX captou recursos em uma fase favorável do país, quando o Brasil estava saindo na capa da Economist como uma economia promissora. Foi vendida, para os investidores, uma promessa de futuro que não se concretizou ainda”, resume Claudio Gonçalves, professor do MBA Gestão de Riscos da Trevisan Escola de Negócios.

Empresas não listadas também mudam planos

A frustração de expectativas não se resume às empresas do grupo X listadas em bolsa. A IMX, do ramo de entretenimento, e a REX, do ramo imobiliário e hoteleiro, também têm sido alvo de notícias sobre cancelamento de negócios e vendas de ativos. Como têm capital fechado, as empresas, porém, não apresentam planos de negócios ao mercado.

No caso da IMX, há rumores sobre a venda integral da companhia, que tem participação de 50% no festival Rock in Rio, comprada em agosto do ano passado, em operação que envolvia investimentos de US$ 350 milhões em cinco anos. Além disso, a companhia é sócia do consórcio que tem a concessão para gerir o estádio do Maracanã.

A REX, por sua vez, já anunciou que está em negociações para a venda de participação no Hotel Glória Palace, adquirido em 2008 por R$ 80 milhões. O cronograma original previa deixar o hotel pronto para a Copa de 2014, mas as obras foram paralisadas e o prazo não será cumprido.
A empresa negociava ainda com o Clube de Regatas do Flamengo a compra de um prédio no Flamengo, zona sul do Rio, para a construção de outro hotel. O clube concluiu, em junho, a desocupação do prédio, mas ainda não sabe se a REX dará continuidade ao projeto.

A redução da exposição a investimentos considerados não prioritários é vista pelo mercado como uma estratégia do banco BTG Pactual, contratado para assessorar a reestruturação da holding EBX, com o objetivo de reduzir a dispersão de esforços e recursos.