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Companhias tiveram atrasos nos embarques e desembarques, despachos e entregas de bagagem e limpeza dos aparelhos por causa de uma greve dos funcionários da Intercargo

Agência Estado

Em plena temporada de inverno na Argentina, as companhias brasileiras Gol e TAM e outras 24 empresas estrangeiras que operam no país enfrentam dificuldades com a única prestadora de serviços aos aviões e passageiros em terra, a estatal Intercargo. Esse tipo de empresa é conhecida como handling.

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Nos últimos seis dias, as companhias tiveram atrasos de horas nos embarques e desembarques, despachos e entregas de bagagem e limpeza dos aparelhos por causa de uma greve dos funcionários da Intercargo. A dificuldade acontece nos dois principais aeroportos de Buenos Aires: o de Ezeiza e o Aeroparque.

"Depois que apresentamos uma reclamação formal, nesta terça-feira (2) os serviços foram normalizados, mas não sabemos quanto tempo isso vai durar porque o conflito salarial continua", disse o diretor executivo da Câmara de Companhias Aéreas na Argentina (Jurca), Horacio Oyhanarte.

A Gol é uma das companhias que enfrentam dificuldades com a Intercargo na Argentina
Divulgação
A Gol é uma das companhias que enfrentam dificuldades com a Intercargo na Argentina

Ele relatou que, nos últimos seis dias, as companhias tiveram "enormes prejuízos" provocados por atrasos na prestação dos serviços. Oyhanarte enviou nesta segunda-feira (dia 1°) uma carta à empresa para reclamar das constantes interrupções dos serviços a todas as companhias, exceto à estatal Aerolíneas Argentinas e Austral e à americana American Airlines.

Os dois grupos são os únicos com autorização da Administração Nacional de Aviação Civil (Anac) da Argentina a usar os próprios serviços, sem depender da estatal.

O diretor executivo da Jurca disse que as demais companhias têm condições de fazer o mesmo, mas não têm permissão das autoridades. "Não temos nenhum problema que a Intercargo tenha o monopólio, mas as companhias aéreas precisam ter alternativas para evitar esse tipo de situação que nos provoca um dano muito grande", afirmou.

Oyhanarte defendeu a entrada de pelo menos uma companhia mais para competir com a Intercargo. "Seria saudável a concorrência porque o monopólio leva a essa situação dependente", opinou.

"Essa situação causa uma grande preocupação porque nossas associadas estão sendo gravemente prejudicadas em suas finanças devido às demoras na saída de seus voos, a falta de entrega de bagagem a tempo, compensações concedidas a passageiros, perdas de carga e negócios e a perda de conexões por parte de seus passageiros, entre muitos outros prejuízos", detalhou.

Tarifas

A questão das linhas aéreas com a Intercargo vai além da conjuntura de negociação salarial. "Quase todas as companhias são obrigadas a usar a Intercargo, que cobra a tarifa mais alta da região e uma das mais altas do mundo, oferecendo um serviço que não condiz com o preço cobrado", reclamou. Oyhanarte afirmou que a diferença entre as tarifas locais com as aplicadas em outros aeroportos do mundo são entre "100% a 300% superiores".

O executivo disse que, apesar das altas tarifas, não há investimentos nos equipamentos, que são obsoletos e geram muitos problemas. A denúncia da Câmara foi feita em pleno conflito entre a Intercargo e a LAN Argentina por diferenças em relação às tarifas.

Em maio, a LAN foi obrigada a cancelar dezenas de voos e sofreu o atraso de mais de 100. Quase 13 mil passageiros foram prejudicados.

A direção da Intercargo está composta por integrantes do movimento kirchnerista denominado La Cámpora, o mesmo que controla a estatal Aerolíneas Argentinas e Austral. 

A LAN tem cerca de 30% dos voos domésticos, enquanto a Aerolíneas Argentinas e Austral têm 67%. O restante é operado pelas companhias menores.

No âmbito regional, a LAN detém uma fatia importante de 40% dos voos, enquanto a Aerolíneas têm 30% e outra porcentagem semelhante é operada pela Gol. Desde 2008, quando a Aerolíneas foi reestatizada a companhia aérea acumulou perdas em torno de US$ 3,5 bilhões.