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Com vulcões em erupção, protestos contra governos, desastres naturais e epidemias, estas empresas globais nunca caem na rotina

NYT

Em abril de 2010, foram cancelados 104 mil voos comerciais na Europa devido a um vulcão
Thinkstock/Getty Images
Em abril de 2010, foram cancelados 104 mil voos comerciais na Europa devido a um vulcão

Não existe lugar sem viajantes internacionais. Assim, as empresas globais de segurança de viagens nunca caem na rotina. Há pouco tempo, Alex Puig, diretor de segurança regional da companhia de emergências em viagens Internationais SOS, estava em seu escritório num subúrbio da Filadélfia vendo o noticiário sobre a erupção de um vulcão na porção ocidental do Alasca. Ao mesmo tempo, monitorava eventos na Turquia, onde a violência nas ruas aumentou abruptamente.

Os dois fatos eram apenas destaques numa longa lista. Caos, doenças, desastres naturais e  raios que atingem o mundo inteiro e são monitorados 24 horas por dia por empresas como a SOS – que afirma ter como clientes 70% das firmas da Fortune Global 500 – e por concorrentes no setor, como a iJet.

Aquele vulcão incômodo chamado Pavlof, no trecho ocidental do arquipélago das Aleutas, voltou a entrar em erupção em meados de maio. Em certos dias, ele arrotava cinzas a mais de seis mil metros no ar, levando ao cancelamento de voos regionais. A questão era saber se as erupções do vulcão, um dos mais ativos do Alasca, podiam piorar, cuspindo uma nuvem de cinzas mais alta e ampla com potencial de perturbar centenas de voos diários entre a América do Norte e a Ásia.

"A preocupação agora tem a ver com o efeito que as cinzas vulcânicas têm causado, e que potencialmente poderiam voltar a causar no tráfego aéreo", afirmou Puig, ex-executivo de turismo e carga da Target e antigo agente dos serviços secretos da CIA. "No fim das contas, vamos supor que mais nuvens de cinzas sejam cuspidas na atmosfera e que as empresas aéreas sejam forçadas a mudar as rotas e reduzir muito o número de voos, ou simplesmente cancelá-los."

Esse cenário, como visto na Europa três anos atrás, pode representar encrenca das grossas. Embora não houvesse causa imediata para alarme na região, não faltavam precedentes para prestar atenção – pelos viajantes e pelos que trabalham despachando representantes pelo mundo. Esses funcionários se encarregam da chamada responsabilidade de dever de cuidado, tendo a obrigação de não apenas reagir adequadamente a emergências como também antecipá-las.

As lições foram aprendidas com os efeitos calamitosos sobre as viagens causados pela nuvem de cinzas que cobriu boa parte da Europa Ocidental, quando um vulcão na Islândia entrou em erupção na primavera de 2010. Segundo Puig, antes, o evento poderia não ser visto como tão perturbador ou perigoso quanto, por exemplo, um terremoto, por ser considerado corriqueiro.

"As pessoas falavam: 'vamos voar por cima dela ou contorná-la'. Contudo, na Europa, nós vimos que isso não era possível, e muita gente ficou presa." 

Num período de oito dias, em abril de 2010, foram cancelados 104 mil voos comerciais na Europa, metade do total programado. Cinco milhões de viajantes do mundo inteiro se viram em maus lençóis, enquanto os efeitos dos cancelamentos afetavam as redes de aviação comercial mundial.

Foi um problema com enormes efeitos logísticos – era complicado conseguir quartos em hotéis, o transporte terrestre se mostrou incerto e as comunicações se descontrolaram, enquanto viajantes se viam presos em todos os cantos do globo. Porém, a maioria dos viajantes a negócios pelo menos contava com sistemas de apoio em pleno funcionamento.

"Se você estiver viajando a negócios e ficar encalhado, digamos, em Hong Kong, e não puder partir por causa de problemas nos voos, provavelmente terá de ficar uma semana a mais na cidade à custa da empresa", enquanto tenta administrar as agendas de trabalho e pessoal que foram tumultuadas. "Entretanto, como visto na Europa, muitos turistas foram afetados" e corriam atrás de opções. "Quem está por conta própria pode muito bem terminar dormindo no aeroporto."

Enquanto o vulcão do Alasca sossegava, pelo menos temporariamente, a violência na Turquia piorava. Muitos gerentes de viagens com empregados na estrada em Istambul e outros lugares partiram do pressuposto de que a situação seria controlável, dada a longa estabilidade da Turquia. Contudo, a preocupação aumentou nos escritórios domésticos com relatos de tumultos policiais, de que partidários do governo miravam estrangeiros em Istambul e que a polícia chegou a jogar gás lacrimogêneo dentro de um hotel escolhido por viajantes comerciais internacionais.

"Agora, estamos falando às pessoas que é possível viajar à Turquia – sem problemas –, mas deve-se confirmar os arranjos de viagem, ver se os aeroportos continuam funcionando, conferir o transporte terrestre e confirmar se o hotel reservado não foi afetado", explicou Puig.

"Foi uma coisa bastante complicada", ele falou da reação à emergência na fase do "esteja informado", em relação à Turquia. "Não se deve reagir de forma branda. Na verdade, preferimos exagerar na resposta, caso sintamos estar nos dirigindo em determinada direção e precisarmos colocar nossas equipes em ação, começando a organizar a logística."

Logicamente, a violência terrestre é muito mais perigosa do que um vulcão a perturbar viagens aéreas internacionais. Todavia, nesse tipo de situação, vale a pena estar preparado. As coisas podem se acalmar na Turquia, bem como os efeitos potenciais sobre os viajantes. Aquele vulcão no Alasca pode voltar a dormir. "Ainda é muito cedo para saber", avaliou Puig.

Entretanto, é uma boa ideia ficar de olhos bem abertos.

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