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Quasi Pronti começa com cinco lojas em São Paulo, menu com sobremesa e vinho próprio

É um ensinamento de Abilio Diniz que está por trás da nova marca de alimentação rápida, a marca portuguesa Quasi Pronti, que será lançada por Hugo Bethlem, ex-vice presidente de relações corporativas do Pão de Açúcar. 

O sócio e investidor Hugo Bethlem: momento propício para alimentação fora do lar
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O sócio e investidor Hugo Bethlem: momento propício para alimentação fora do lar

"Quando fui promovido, ele me aconselhou a estar sempre 'quase pronto', o que significa ter  humildade e buscar fazer sempre melhor", conta o sócio e investidor da marca, que terá cinco lojas em São Paulo até o final deste ano.

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A primeira, no Shopping Ibirapuera, será inaugurada no início de julho. Em agosto, será a vez do Shopping Paulista e, em setembro, do Shopping Aricanduva. A opção inicial foi por shoppings já consolidados na cidade.

No total, foram investidos R$ 5 milhões nas cinco unidades. Bethlem divide o controle do investimento com o sócio António Relva Ribeiro, desenvolvedor e operador da marca em Portugal, que tem 12 anos de mercado e 20 lojas próprias no país, além de nove franquias na Romênia e Espanha. 

Porém, com exceção das receitas culinárias e desenvolvimento operacional, o conceito foi adaptado ao Brasil. "Será uma empresa nova", ressalta o executivo. 

Serão três menus e um infantil, cujos preços variam entre R$ 12,90 e R$ 19,90. O cliente pode optar por massa com molho, massa com molho e opções de acompanhamento ou massa recheada, que são acompanhadas por refrigerante e sobremesa. A refeição, garante Bethlem, estará pronta em dois minutos. 

O objetivo é aproveitar o bom momento do mercado de alimentação fora de casa no País, e concorrer com redes de franquias como a Ragazzo, do Habib's, e Spoleto. Em um ambiente de baixo desemprego, e ascensão da classe C e D, o foco é oferecer refeições nos dias úteis, com preços adequados ao valor do vale-alimentação de trabalhadores. 

Com layout limpo, a marca quer se diferenciar pela qualidade de produtos e atendimento. "Estamos treinando funcionários há três semanas e teremos um programa de rastreabilidade de produtos. Os consumidores poderão saber quais marcas estão consumindo". 

Entre os principais fornecedores, estão as empresas Barilla (massas), Vigor (molhos) e Friboi (carnes), contatos adquiridos de forma direta ou indireta em seu trabalho de mais de uma década na rede de varejo. 

O restante do capital foi levantado com parentes e amigos, além de ex e atuais executivos do Pão de Açúcar. "Distribuí cotas, que podem ser divididas por cada um dos investidores. Mas me reporto apenas a eles". 

Layout dos restaurantes: ambiente limpo e foco na qualidade de ingredientes
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Layout dos restaurantes: ambiente limpo e foco na qualidade de ingredientes

A ideia é, ao final de um ano, captar mais investimentos no mercado, inclusive de fundos de capital de risco (private equity). O crescimento deve ser baseado em lojas próprias. Bethlem desconsidera o modelo de franquias. "Queremos manter o controle da gestão e atendimento". 

Com a sua saída do Pão de Açúcar em setembro do ano passado, em meio a um processo de reestruturação promovido pelo novo controlador da rede de varejo, o grupo francês Casino, após a saída de Abilio, Bethlem diz buscar agora exercitar seu lado empreendedor em um mundo próprio, adquirido com a experiência de 35 anos no varejo. 

"Trabalhei no Carrefour quando a rede tinha apenas quatro lojas no País. Montei o Extra Fácil e comprei o Assaí, que hoje é considerado um modelo no atacado. Estou botando em prática este aprendizado". 

O DNA do trabalho na ex-empresa também aparece nos programas sociais e patrocínios de eventos esportivos que a nova marca pretende apoiar.

Segundo o sócio da empresa, a cada prato vendido, uma refeição será doada para entidades sociais no entorno das lojas, que podem ser sugeridas pelo consumidor. A marca nasce apoiando uma equipe de maratonistas na Race Across America, realizada nos Estados Unidos.

Bethlem planeja introduzir o hábito de tomar vinho entre os consumidores. Para isso, desenvolve um vinho próprio para a rede, em parceria com vinícolas do Sul do País. Ele será vendido em taças, com um adicional de R$ 2 sobre o menu, ou garrafas.

As lojas também terão tecnologia. Além de wifi aberto, o programa de rastreabilidade dos produtos poderá ser visualizado por um código escaneado pela tela do smartphone.

Outros projetos

Desde sua saída do Pão de Açúcar, Bethlem já investiu também em uma startup de tecnologia, a Dot Legend, na qual é investidor e presidente do conselho. O aplicativo criado pela empresa, que se baseia em um programa de recompensas a partir de interações, como visitas à loja, que podem gerar créditos em produtos, será utilizado na Quasi Pronti. 

No final de abril, o executivo também passou a fazer parte do conselho da fabricante de móveis Unicasa.

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