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Venda dos ativos pelo empresário deve continuar mesmo depois da reestruturação

Agência Estado

Venda dos ativos pelo empresário Eike Batista deve continuar mesmo após reestruturação de dívidas do grupo EBX
Getty Images
Venda dos ativos pelo empresário Eike Batista deve continuar mesmo após reestruturação de dívidas do grupo EBX

A reestruturação da dívida do Grupo EBX está prevista para sair do papel até o fim da primeira quinzena de julho. Mas a venda dos ativos pelo empresário Eike Batista deve continuar mesmo depois disso. Além das participações em suas principais empresas, os planos incluem também a venda da empresa de carvão CCX e de ouro AUX, que não entraram no pacote do saneamento da dívida por ainda estarem longe de serem operacionais.

Quem acompanha de perto as negociações conta que o desenho final da venda da mineradora MMX, um dos principais ativos de Eike, ainda não está totalmente definido. No páreo, estão a holandesa Trafigura e a suíça Glencore, com possível participação do BTG Pactual, que também assessora o empresário na reestruturação.

Além disso, o grupo brasileiro Gerdau também foi sondado para avaliar os ativos da MMX. A Glencore chegou a fazer uma oferta pelo porto Sudeste, que está conectado à MMX, mas Eike tenta vender o pacote inteiro. Credores que acompanham esses movimentos avaliam que esse ativo poderia render de R$ 2 bilhões (se Eike só conseguir vender o porto) a R$ 5 bilhões (caso o empresário consiga passar adiante o pacote completo).

Apesar das negociações terem avançado, a tropa de advogados necessária para fechar o contrato de venda ainda não foi acionada. A confirmação de que a MMX está à venda trouxe fôlego às ações da mineradora na Bovespa, na terça-feira, 25. Os papéis fecharam com ganho de 17,06%, no topo da lista das maiores altas do dia no pregão paulista. A alta levou a reboque outras empresas do grupo que também estariam à venda, como a CCX (12,05%), a petroleira OGX (6,41%) e a empresa de logística LLX (1,01%).

A notícia motivou ainda uma elevação na recomendação do banco Morgan Stanley para as ações da MMX. “Nós enxergamos queda limitada (do papel) nos níveis atuais. Além do mais, a companhia anunciou que contratou um assessor para explorar possíveis vendas de ativos, o que acreditamos que trará algum suporte para a ação”, afirma o relatório do banco. Na reestruturação, segundo fontes, o grupo de Eike Batista trabalha ainda em outras frentes, como a busca de um parceiro estratégico para a LLX, que tenha capacidade financeira para desenvolver o Porto do Açu.

Há ainda a expectativa de uma renovação da carteira de contratos do estaleiro OSX. A intenção é descentralizar as atividades das empresas da petroleira do grupo, a OGX, e também da figura de Eike Batista. O plano é equacionar o endividamento do grupo, que atravessa uma crise de confiança desde junho de 2012, quando anunciou metas de produção para o poço de Tubarão Azul muito abaixo do prometido inicialmente. Ao fim do primeiro trimestre desse ano, a dívida das empresas ultrapassava a casa dos R$ 10 bilhões apenas contabilizando os principais bancos de varejo, conforme dados dos balanços das companhias.

BNDES

O grupo tem ainda dívidas com o BNDES. A crise das empresas de Eike, porém, tem um impacto menor para o banco de fomento, já que o BNDES têm fianças bancárias ou corporativas. No mercado, no entanto, há quem aposte que o esforço de renegociação das dívidas do grupo pode resultar também na saída de Eike do controle. Entre alguns investidores, há percepção é de que a falta de transparência no processo têm gerado mais dúvidas em relação à saúde financeira das empresas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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