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Microcervejarias como a Sierra Nevada, a maior do país, analisam entrada no mercado

Elas são conhecidas por serem mais encorpadas e não seguirem regras de pureza. Variadas tanto com relação a aromas quanto em número de rótulos, as cervejas artesanais americanas prometem chegar com mais força ao Brasil, considerado o terceiro país com maior consumo de cerveja no mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Eric Rosenberg, da Brewers Association: dez marcas querem exportar para o Brasil
Divulgação
Eric Rosenberg, da Brewers Association: dez marcas querem exportar para o Brasil

É o que declara Eric Rosenberg, executivo da Brewers Association, que representa 99% do mercado americano de cervejarias independentes em termos de valor de vendas e 75% do segmento com relação a número de empresas.

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"Olhamos para o Brasil como um grande mercado, com bom histórico quando se fala em cerveja", declara Rosenberg.

A associação fez uma pesquisa sobre o potencial do mercado em 2008 e, a partir dela, algumas marcas passaram a exportar para o País a partir 2010. Em dois anos, 12 marcas americanas já começaram a vender para o Brasil, e o número pode dobrar nos próximos anos. Hoje, existem ao menos dez marcas que estudam o mercado, que somam 30 rótulos.

A importadora Tarantino planeja trazê-los para o País. Para a feira que reúne microcervejarias e importadoras, a Brasil Brau (que acontece em São Paulo até quinta-feira, dia 27), a importadora deu uma amostra do que pode chegar por aqui. São marcas como Alameda, Caldeira, Cisco Brewers, Chocbeer, Epic, Lagunitas, Lakefront, Oskar Blues, Stone e Odell. 

A principal é a Sierra Nevada, a maior cervejaria independente dos Estados Unidos. Steve Grossman, embaixador da cervejaria, confirma o interesse pelo País. "Temos rótulos equilbradas, e acreditamos que eles terão boa aceitação no mercado. Principalmente as pale ale (com malte) e nossa Torpedo (india pale ale, mais forte)". 

Hoje a cervejaria exporta para o Reino Unido, Suécia, Itália, Austrália e França. Grossman aponta que o interesse não é movido por uma crise no mercado americano, mas, sim, para proteger o produto de exportações não autorizadas.

"Temos muito a crescer dentro dos Estados Unidos. As cervejas artesanais representam ainda apenas 6,5% do mercado americano. Mas precisamos proteger a imagem de nossos produtos, no exterior que, no caso de exportações não autorizadas, podem perder o frescor". 

Além das que negociam a chegada ao Brasil, quatro já fecharam contrato exclusivo com a importadora Bier & Wein e começam a ser vendidas no mercado brasileiro em cerca de 30 dias: as californianas Ballast Point, Bear Republic, Coronado e Speakeasy. Além delas, a Southern Tier, de Nova York, também começa a exportar para o País, trazida pela Tarantino. 

"Apesar de termos 25 marcas no portfólio, com cinco a seis rótulos cada, não tínhamos americanas. É a onda do momento, depois das belgas, que chegaram forte em 2012. A intenção é ampliar mais o portfolio com rótulos do país", diz Manoel Heredia, gerente nacional de vendas da importadora. A Bier & Wein tem, há 14 anos, contrato com a alemã Erdinger.

Algumas das marcas americanas que já exportam para o País, como a a Brooklin e Rogue, estão aumentando sua distribuição. De acordo com Rosenberg, são elas que darão impulso ao mercado. "Há muitas marcas que planejam vir depois que as pioneiras forem bem sucedidas no novo mercado".

Problema com a validade

Problemas logísticos e a burocracia que envolve o processo de importação de produtos no País é um entrave para algumas marcas. Isso porque alguns produtos, por não levarem aditivos químicos, têm prazo de validade menor, de três a seis meses.

"Se o processo de importação demorar um mês, pode invalidar a operação", diz Rosenberg. "Ou elas exportam produtos com maior tempo de validade, ou simplesmente optam por não exportar"

Mas estes problemas podem ser contornados por cervejarias como a Sierra Nevada. "Temos uma estrutura de exportação na qual os produtos são transportados em refrigeradores. O problema é encontrar o parceiro certo", diz Grossman. 

A Brewers tem um programa de exportação que dá suporte para cervejarias independentes que queiram expandir a distribuição para outros países. Em 2012, foram exportados para cá produtos no valor de US$ 1,2 milhão. Porém, eles representam apenas 2% do total do programa.

O Canadá é o maior mercado exportador para as microcervejarias americanas, e representa 40% do total. É seguido pela Suécia e Reino Unido, que detém 20% cada. O Japão fica com uma fatia de 15%.

Depois, vem os novos mercados: Austrália, China e Brasil, que estão em nível semelhante, segundo Rosenberg. Agora, o grupo deve buscar ampliar atuação em Hong Kong, Cingapura e Tailândia. 

Hoje, 65 cervejarias independentes participam do programa de exportação. Em 2004, quando o programa começou, eram 20.


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