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Empresa tem cerca de 55% de seus custos operacionais atrelados ao dólar, que está em alta

Agência Estado

A companhia aérea Gol vai cortar 200 voos semanais a partir de agosto, principalmente rotas dentro do Brasil. A estratégia faz parte do ajuste da empresa à alta do dólar, afirmou seu presidente Paulo Sérgio Kakinoff, em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (24).

-Veja também: Gol reduzirá oferta doméstica em 9%

A Gol tem 950 voos diários, incluindo rotas nacionais e internacionais, e um total de 6,650 mil voos por semana. Mas o corte, segundo Kakinoff, não será linear, ou seja, haverá dias da semana que serão menos afetados pelos cortes que outros.

A Gol tem cerca de 55% de seus custos operacionais atrelados ao dólar, principalmente combustíveis (43%), que são precificados na moeda americana, além das despesas com leasing. Por isso, a necessidade de ajustes a um novo cenário. Na média internacional, o combustível de aviação responde por 33% dos custos.

A alta do dólar vai custar R$ 900 milhões às empresas aéreas brasileiras este ano
Divulgação
A alta do dólar vai custar R$ 900 milhões às empresas aéreas brasileiras este ano

Conforme o executivo, só a alta do dólar vai custar R$ 900 milhões às empresas aéreas brasileiras este ano, se a moeda americana ficar na casa dos R$ 2,25 este ano. Na manhã desta segunda-feira (24), a Gol soltou um comunicado informando que cortaria 9% de sua oferta doméstica, número pior que o previsto inicialmente.

A expectativa anterior da empresa era de que a oferta de voos seria cortada em 7%. Ao mesmo tempo, a Gol reiterou sua meta de margem operacional entre 1% e 3%. "O ambiente externo evoluiu negativamente para a companhia", disse Kakinoff. Após estes ajustes, o presidente da empresa disse que não estão previstos novos cortes na oferta de pessoas. Ele também descartou novas demissões na empresa.

Diante do novo cenário, a Gol reviu suas projeções para dólar e o crescimento brasileiro este ano. Antes, a companhia trabalhava com dólar a R$ 1,95 a R$ 2,05 na média de 2013. Agora, trabalha com R$ 2,08 a R$ 2,18. Para o crescimento brasileiro, a empresa mudou a projeção do intervalo de 2,5% a 3% para 2% a 2,5%. Já para o preço do combustível, a expectativa passou de R$ 2,30 por litro para R$ 2,40.

Sobre os efeitos das manifestações na empresa, Kakinoff afirmou que não houve redução na procura por passagens aéreas. O que ocorreu até agora foi um efeito na logística da operação.

Como exemplo, ele cita as manifestações em São Paulo que, na sexta-feira (21), fecharam o acesso ao aeroporto de Guarulhos, complicando a chegada e saída de passageiros. Questionado se a empresa estuda emitir dívida para captar recursos, Kakinoff afirmou que a companhia tem R$ 3 bilhões em caixa e não estuda captar no exterior ou no Brasil neste momento.

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