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Presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse que alta do dólar foi "abrupta", mas que os efeitos só poderão ser sentidos no final do mês

Reuters

A disparada do dólar neutralizou os reajustes de combustíveis realizados pela Petrobras neste ano, à medida em que as importações ficam mais caras, o que pode colaborar para aumentar os problemas da área de Abastecimento da estatal, segundo especialistas.

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A defasagem atual entre preços domésticos de combustíveis e os internacionais está maior em relação à verificada imediatamente após o último aumento do diesel, informou o Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) nesta sexta-feira (21).

Apesar da queda recente dos preços de petróleo e derivados no mercado internacional, gasolina e diesel estão 20% e 16,6% mais baratos nas refinarias do Brasil em relação aos valores praticados no mercado americano, calculou o Cbie.

Graça Foster:
Petrobras/Divulgação
Graça Foster: "A Petrobras tem custos em dólar, então é preciso esperar o último dia útil de junho"

Logo após o último reajuste, no começo de março, a diferença entre o valor da gasolina e do diesel —entre o Brasil e os EUA— era de 16,5 e 14%, respectivamente, segundo a mesma consultoria.

O diesel foi reajustado duas vezes este ano —com altas de 6,6% em janeiro e 5% em março—, enquanto a gasolina teve uma alta de 5,4% janeiro.

"Os reajustes já foram anulados pela alta do dólar", afirmou o sócio-diretor do Cbie, Adriano Pires.

A cotação do dólar ante o real subiu 4,7% em junho e acumula alta de cerca de 10% no segundo trimestre.

No primeiro trimestre do ano, o prejuízo na área de abastecimento havia caído 7% na comparação com o mesmo período do ano passado, com os reajustes dos combustíveis dando colaboração importante para a redução das perdas, que ainda foram de mais de R$ 4 bilhões nos primeiros três meses de 2013.

Com a anulação do efeito positivo do reajuste, essa situação pode mudar nos próximos meses.

Nesta sexta-feira (21), a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, comentou que os efeitos da alta do dólar poderão ser mais bem avaliados ao final do mês, mas mencionou que o câmbio teve uma variação "abrupta".

"A Petrobras tem dívida em dólar. A indústria de petróleo é dolarizada. A Petrobras tem custos em dólar, então é preciso esperar o último dia útil de junho", declarou ela, ao ser questionada sobre o impacto para os resultados da empresa.

Importações crescentes

O crescimento expressivo na demanda por derivados no país, levando a estatal a uma queda expressiva das exportações e a um aumento igualmente acelerado das importações neste ano, também é fator a ser considerado.

"A Petrobras, claro, não gostou nada disso (aumento do dólar); ela ganha um pouco mais na exportação e perde um poucão na importação", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Exportadores (AEB), José Augusto de Castro.

De acordo com a AEB, a exportação da Petrobras, de janeiro até maio de 2013, somou US$ 4,943 bilhões, contra US$ 10,118 no mesmo período de 2012. Já suas importações Petrobras no mesmo período somaram US$ 18,247 bilhões, contra US$ 14,262 bilhões no mesmo período de 2012.

Apesar do impacto negativo do câmbio sobre as importações, seus efeitos também são limitados porque as vendas de gasolina e diesel, em reais, representam 40% do total da receita da petroleira, ponderou o analista Marcus Sequeira, do Deutsche Bank, em relatório ao mercado.

Com a maior parte da receita em dólar, a Petrobras, que também é importante exportadora, beneficia-se um pouco com a alta da moeda americana.

Entretanto, a Petrobras provavelmente sentirá outros efeitos da recente desvalorização real, uma vez que tem dívida e custos em dólar.

Em evento no início de junho, a presidente da estatal afirmou que o câmbio "como está não é bom para a Petrobras", citando a questão da dívida e os custos.

Cerca de três quartos da dívida da Petrobras estão em moeda estrangeira, com a maior parte sendo atrelada ao dólar.

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