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Empresa, que é dona da Havaianas, estuda em qual país da Ásia pode ter operação própria

Marcio Utsch, diretor-presidente da Alpargatas: consolidação da marca Havaianas
Divulgação
Marcio Utsch, diretor-presidente da Alpargatas: consolidação da marca Havaianas

Com uma nova fábrica em fase de testes em Montes Carlos (MG), que irá produzir em escala industrial dentro de três meses, e a expectativa de aumentar a geração de receita em moedas internacionais, hoje em torno de 30%, a Alpargatas, dona da Havaianas, estuda criar uma operação própria para a marca na Ásia, conta o diretor-presidente da companhia, Márcio Utsch.

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"Já exportamos para quase todos os países do Oriente. Alguns deles têm muita relevância, como Filipinas. Agora, desenvolvemos um trabalho para entender estes mercados e decidir qual deles será nosso principal no continente", explicou ao iG

O estudo deve ser concluído no ano que vem, e a tarefa não será fácil. Isso porque, conta o executivo, há um mercado 'aparente' e outro 'endereçado', e não necessariamente ele se encontra nos grandes países da região. 

"Na China eliminamos mais da metade da população apenas pelo nível de renda. No país existem chinelos bem mais baratos do que o nosso. Se aqui já é barato, lá é mais ainda, e nosso negócio é marca, não volume", explica.

Outro ponto determinante, conta Utsch, é o clima. "A China registra clima quente quatro meses por ano. São 26 grandes cidades que podem ser um mercado endereçado para a Alpargatas. Mas algumas, ao Norte, são muito frias, e até neva. Isso exigiria, por exemplo, reduzir o tempo de venda. Já Hong Kong é mais quente". 

O levantamento irá diagnosticar onde a companhia deve entrar, com que tipo de produto e abordagem de marca, se irá optar por loja própria, franquias ou multimarcas.

"É preciso considerar também barreiras tarifárias. A lista de considerações é gigantesca, e o estudo vai dizer se faz sentido ou não. E, se faz, qual deve ser o tamanho da operação.". 

Hoje, a companhia tem operação própria para Havaianas nos Estados Unidos e na Europa, em países como Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália e França, que, assim como os EUA, tem uma central de produtos, além de escritório. No hemisfério Sul, a Alpargatas tem operação na Argentina.São 5 mil empregados no exterior. A companhia exporta produtos para cerca de 80 países.

Consolidação da marca

Antes da Copa do Mundo, no ano que vem, a Alpargatas espera terminar seu projeto de extensão da marca Havaianas, que deve passar a estampar outros tipos de produtos, até mesmo vestuário. Além disso, a companhia prevê criar um novo visual para as lojas, com o mote de "espírito de verão".

"Iremos ter, logicamente, a Havaianas da Copa, e outros produtos relativos ao evento que devem estampar a marca", diz o executivo. O principal objetivo é divulgar a marca para visitantes estrangeiros, principalmente em pontos turísticos.

Novas aquisições

A Alpargatas está aberta a mais aquisições no segmento de calçados de moda, calçados esportivos e 'luxo discreto', onde se enquadra a Osklen, marca na qual a companhia adquiriu participação de 30% no ano passado.

"Olhamos quais são as competências da empresa e se há possibilidade de aportar as nossas. O segundo filtro são sinergias, e o terceiro preço", diz o presidente.

O executivo ressalta que não irá investir em segmentos novos. "As novas categorias de produtos serão criadas em negócios onde já estamos hoje". 

Além da Havaianas, a empresa é gestora das marcas Dupé, Topper, Rainha, Mizuno, Timberland, Osklen, Sete Léguas e Meggashop no País.

Expectativas

A Alpargatas passou por projetos de reestruturação no decorrer do ano passado, pelos quais, aponta o diretor-presidente, pagou 'preços altos', em áreas como TI e de controle de despesas e custos. Hoje, na visão do executivo, eles brindam a companhia com resultados, que puderam ser observados no primeiro trimestre.

"Tudo indica que o segundo trimestre será bom também. Pagamos pedágio no ano passado e andamos agora em estrada asfaltada", conclui Utsch.

Embora a economia Argentina não esteja em curva ascendente, Utsch aponta resultados positivos crescentes no país, onde a operação deteriorou a partir de setembro e já representa 10% do negócio.

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