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Unidades antigas podem não sobreviver a novas regras ambientais e a outras circunstâncias que requerem altos custos

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Este ano, quatro reatores nucleares foram desativados nos EUA por motivos econômicos
Thinkstock/Getty Images
Este ano, quatro reatores nucleares foram desativados nos EUA por motivos econômicos

Quando uma usina nuclear se torna velha demais? Esta indústria faz um grande esforço para entender se os atuais problemas com seus reatores, projetados nos anos 1960 e 1970, são apenas males da meia idade ou uma crise do fim da vida.

Este ano, empresas anunciaram a aposentadoria de quatro reatores nos Estados Unidos, restando outros 100 no país. Três deles apresentavam problemas mecânicos de alto custo, mas um, o Kewaunee, em Wisconsin, funcionava bem. Seu proprietário, a Dominion, havia recebido permissão para mantê-lo ativo por mais 20 anos. Mas o reator estava dando prejuízo, devido ao baixo preço da energia distribuída na região.

“Este é o problema mais ameaçador para esta indústria”, afirmou Peter A. Bradford, ex-membro da Nuclear Regulatory Commission e ex-chefe da agência regulatória New York Public Service Commission.

Enquanto as outras três usinas – San Onofre 2 e 3, perto de San Diego, e Crystal River 3, na Flórida – passavam por custosos projetos de manutenção, a Kewaunee não apenas dispensou grandes reparos, como parecia não precisar de um grande investimento financeiro, segundo Bradford.

Envelhecimento

É uma reviravolta, já que, até recentemente, a expectativa de vida dos reatores nucleares só crescia. Quando a Nuclear Regulatory Commission começou a autorizar os reatores a operarem por mais 20 anos além dos 40 permitidos, pessoas ligadas ao setor de energia começaram a pensar que os antigos 40 eram os novos 60.

Reator nuclear em construção na cidade de Waynesboro, Geórgia
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Reator nuclear em construção na cidade de Waynesboro, Geórgia

Nas últimas semanas, contudo, os reatores "quarentões" voltaram a parecer mais velhos, com implicações para as usinas de energia ainda em funcionamento, e para várias outras em construção. “Elas deveriam durar até onde fosse possível comercialmente”, afirmou Robert E. Curry Jr, que foi membro da New York Public Service Commission, entre 2006 e 2012.

Mas com os preços baixos da energia, além dos custos adicionais impostos com o desastre nuclear na usina de Fukushima em 2011, no Japão, e a “descrença geral na energia nuclear por parte de qualquer um que tenha presenciado a ‘síndrome chinesa’”, sua viabilidade comercial agora é evidentemente menor, acredita Curry Jr.

Exelon abandona projeto

Mesmo que as usinas não sejam desativadas, elas já significam um revés. A Exelon, maior operadora nuclear dos EUA, planejou há alguns anos investir US$ 2,3 bilhões nos reatores já existentes e aumentar sua capacidade energética em até 1.300 megawatts, pouco mais do que um novo reator pode gerar. Após realizar um quarto do projeto, porém, a empresa abandonou seus planos e anunciou que pagaria aos fornecedores US$ 100 milhões em multas para compensar o cancelamento, porque a economia não estaria mais favorável.

Christopher M. Crane, chefe-executivo da empresa, disse que a Exelon não tem planos de desativar seus reatores, mas a companhia pode continuar a revisar algumas condições, como os baixos preços da energia no atacado, a fim de verificar se o fechamento prematuro de alguma unidade seria necessário.

Oyster Creek deve fechar em 2019

Aberto em 1969, o reator da Exelon Oyster Creek, em Forked River (Nova Jersey), é o mais antigo do país. Ele teve sua licença estendida em 20 anos em 2010, mas a Exolon prometeu fechá-lo até o fim de 2019, em troca de uma permissão para deixar de seguir algumas regras quanto ao descarte de água quente da usina. Mas este prazo pode não ser respeitado.

Em San Onofre, seus proprietários tiveram que fazer um grande investimento com manutenção. Calcularam não apenas o preço, mas também o número de anos restantes de vida útil do reator para compensar o investimento. O mesmo pode acontecer com o Oyster Creek.

Este é destino de todas as usinas nucleares antigas. Como apontou o Instituto de Energia Nuclear – maior associação comercial desta indústria –, quando a San Onofre foi fechada em 2010, 41% da usina destinavam-se ao carvão e 33% ao gás natural. Apenas 10% consistiam em energia nuclear. Usinas antigas podem não sobreviver a novas regras ambientais ou outras circunstâncias que requerem altos custos.

A diferença é que usinas de gás natural continuam a ser construídas, e também algumas de carvão. Houve um lapso de 30 anos na construção de novas usinas, que terminou este ano, mas apenas quatro unidades abriram novos caminhos.

Um quinto delas está sendo revitalizado. Enquanto empresas nos últimos anos anunciaram projetos para a construção de mais de uma dúzia de novos reatores, além dos cinco em construção atualmente, apenas quatro reatores antigos parecem viáveis para os próximos anos. E todos os outros continuam envelhecendo.

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