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Unidade é a primeira do tipo instalada pela companhia na América Latina

Agência Estado

Com um investimento de R$ 55 milhões em instalações físicas e que passa de R$ 100 milhões com o desenvolvimento de produtos, a Iveco inaugurou nesta quinta-feira (13) a fábrica de veículos de defesa no complexo industrial da empresa em Sete Lagoas, na região central de Minas Gerais.

A unidade é a primeira do tipo instalada pela Iveco na América Latina e a produção de cem unidades anuais —que pode ser dobrada, de acordo com a demanda, segundo o presidente Fiat Industrial para a região, Marco Mazzu— terá como destino o Exército e as Forças Armadas de outros países da América Latina. Na fábrica, há capacidade para produzir três tipos de veículos: blindados, caminhões e multifuncionais.

A unidade está instalada em um espaço de 30 mil metros quadrados —18 mil de área construída— que já abriga a produção do VBTP-MR Guarani, veículo de defesa sobre rodas que deve substituir o Urutu, atualmente usado pelo Exército para o transporte de tropas. "É possível fazer adaptações para dez versões diferentes", disse Mazzu, exemplificando com modelos de comando, reconhecimento, médico e outros.

A fábrica da Iveco está instalada em um espaço de 30 mil metros quadrados
Getty Images
A fábrica da Iveco está instalada em um espaço de 30 mil metros quadrados

O Guarani tem 60% de conteúdo nacional, incluindo motor, câmbio e chassis, e é fruto de uma parceria da Iveco com o Exército, que encomendou 86 veículos do tipo para "experimentação doutrinária". As 12 primeiras unidades produzidas na fábrica já foram entregues em 2012 e estão em uso em unidades do Exército no Rio.

O veículo tem capacidade para transportar até 11 pessoas, pesa 18 toneladas e é equipado com motor diesel de 383 cavalos potência, tração 6x6 e transmissão automática. A montagem de um Guarani consome 2,5 mil horas, a maior parte no processo de soldagem com aço balístico, contra 100 horas de um caminhão comercial comum.

Frota

Conforme o comandante do Exército, general Enzo Peri, a Força investiu, aproximadamente, R$ 400 milhões na compra dos veículos e pretende usar toda a capacidade de produção da fábrica. "Estamos dependendo do orçamento. Com o orçamento permitindo, pretendemos sim", disse, referindo-se à possibilidade de encomendar novas frotas.

De acordo com Peri, os veículos comporão uma "família", com adaptações para posto de comando, comunicações e outros. Ele revelou que, atualmente, o Exército usa veículos de combate —tanques— da Alemanha e Estados Unidos "que não estão concorrendo com a Iveco". Mas afirmou que em 2012 a força encomendou mais de dez mil veículos de diferentes tipos, que ainda vão ser entregues até o fim do ano.

"Quase a totalidade é brasileira", disse. Com relação ao Guarani, o gerente de Operações da Divisão de Veículos de Defesa da Iveco, Giovanni D'Ambrosio, afirmou que também há "conversas" para negociar a produção para as Forças Armadas de países como Argentina, Chile e Colômbia. "Antes, ele (veículo) tem de ser oficialmente adotado pelo Exército Brasileiro", disse.

Já o diretor de Veículos Especiais da Fiat para América Latina, Paolo del Noce, afirmou que a produção do Guarani "é o resultado de um esforço de cinco anos", em referência à licitação feita pelo Exército em 2008 e que a unidade da Iveco em Sete Lagoas também tem capacidade para produzir LMV, um tipo de jipe que já teve mais de 4 mil unidades vendidas para países da Europa.

A Iveco fabrica veículos de defesa há aproximadamente sete décadas e comercializa com cerca de 50 países, principalmente integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

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