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Portugal já era demasiado pequeno para as ambições e competências de Zeinal Bava, considerado por quatro vezes o melhor CEO da Europa de telecomunicações

Brasil Econômico

Oi tem muito o que aprender com a PT
Bloomberg via Getty Images/Bloomberg
Oi tem muito o que aprender com a PT

A PT e a Oi estão condenadas a entenderem-se sob pena de se tornarem domésticas e irrelevantes, por isso a transferência de Zeinal Bava para a presidência executiva da empresa brasileira é, além do reconhecimento da competência do gestor português, a confirmação de que o noivado estava muito longe de ser feliz. É um passo, que só peca por tardio, para forçar a construção de uma empresa luso-brasileira. Primeiro, pela operação, depois, pelos acionistas.

Quando os acionistas de referência da PT decidiram entrar no capital da Oi, sendo a única alternativa possível, era também a mais difícil. Por quê? Porque o futuro da PT ficava dependente do sucesso e do insucesso da operadora brasileira. E, nestes últimos dois anos, foram sobretudo insucessos, apesar do envolvimento e do empenho da gestão da PT. É bom recordar que a Oi estava sem presidente executivo há meses.

Portugal já era demasiado pequeno para as ambições e competências de Zeinal Bava, considerado por quatro vezes o melhor CEO da Europa de telecomunicações. A entrada da PT no capital da Oi criou as condições que o levam hoje a mudar-se para o Rio de Janeiro, onde será testado ao limite, mas se esse negócio não tivesse existido, Bava já não seria presidente executivo da PT. Também por sua responsabilidade, porque não quis, ou não pôde, abrir novos mercados para a PT. A empresa ficou em Angola - que dá dinheiro mas não tem influência, e de onde acabará por sair por bem ou por mal - e no Brasil.

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O mercado gostou das notícias, e percebe-se porquê. Pela qualidade de Zeinal, porque o novo líder da Oi será o responsável pelas sinergias entre as duas empresas, e a Oi tem muito a aprender com a PT, e porque este é o primeiro passo concreto da fusão.

A fusão entre a PT e a Oi tem pelo menos um ano de atraso, os investidores já estavam convencidos, os acionistas também, mas isso não foi suficiente para chegarem a um acordo. Pior, à medida que o tempo passava, as contas degradavam-se, as margens também e a inevitabilidade da fusão era evidente. Só as divergências de números, o que conta no final do dia, atrasaram o processo.

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Zeinal será decisivo, vai tornar evidente que os acionistas só podem mesmo entender-se. Vai casar a operação, antes de os acionistas se casarem. E Henrique Granadeiro, que vai voltar a um lugar onde já foi feliz. Granadeiro vai ter de fazer o resto, vai ter de trabalhar - como chairman e presidente executivo da PT - para a fusão, a saída que torna tudo isto lógico. Se os acionistas não o fizerem, vão acabar pior do que estão hoje.

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