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Zeinal Bava, da Portugal Telecom, assume a presidência da operadora brasileira, e analistas apontam como inevitável a fusão das duas empresas para conquistar mercado na telefonia

Brasil Econômico

Zeinal Bava vai trocar Lisboa pelo Rio de Janeiro. O até agora presidente executivo da Portugal Telecom, nomeado como presidente da Oi , da qual a PT é uma das principais acionistas, deverá capitanear a efetiva integração operacional das duas empresas. Comenta-se no mercado que esse é o primeiro passo para a fusão e a criação de uma operadora luso-brasileira. Um projeto de Zeinal Bava que agora tem a anuência dos principais acionistas da Portugal Telecom e também da Oi. O sim de todos os interlocutores foi a única condição imposta pelo gestor para aceitar a presidência.

Zeinal Bava, novo presidente da Portugal Telecom
Bloomberg via Getty Images/Bloomberg
Zeinal Bava, novo presidente da Portugal Telecom

Oficialmente ninguém assume que a nomeação de Bava é um primeiro passo para a fusão. Mas , conforme apurou o Diário Económico, em Portugal, os contatos entre os acionistas para isso já é uma realidade. No Brasil, segundo a advogada Claudia Domingues, responsável pela área societária do escritório Doria, Jacobina, Rosado e Gondinho Advogados, há informações no mercado de que especialistas já estariam contratados para desenvolver “sinergias profundas” entre as empresas.

“Se conjectura uma fusão. E a Portugal Telecom, quando entrou na Oi, em 2010, já havia dito que não queria ter apenas participação financeira. Além disso, a empresa pode vir a comprar as participações que tem na Oi via Andrade Gutierrez e La Fonte”, disse a advogada.

Os acionistas ouvidos pelo Diário Económico não escondem a satisfação por Zeinal Bava ter aceito o desafio. Ricardo Salgado, presidente do BES, principal acionista da Portugal Telecom, acredita que o gestor é o homem certo para “imprimir uma nova dinâmica à Oi”. Posição semelhante tem Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing (proprietária do Diário Económico) e acionista de referência da PT com posição de 10,05%.

“Juntas, a Oi e a PT são um projeto global, que fala português e que tem capacidade para crescer e se afirmar”, defende Nuno Vasconcellos.

Em Portugal, a gestão da ‘holding’ ficará a cargo de Henrique Granadeiro, que acumula a presidência do conselho de administração com a presidência da comissão executiva. Já no Brasil, Zeinal Bava terá em mãos a execução de um ambicioso plano de investimento que visa a modernização da infraestrutura da Oi, que tinha no final de março mais de 75 milhões de clientes.

Além do endividamento da companhia, por conta da aquisição da Brasil Telecom, a empresa vem recebendo multas constantes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) por queda de qualidade e deficiência na prestação de serviços. Situação que vinha desagradando os acionistas.

No plano comercial o desafio é descolar do quarto lugar - em abril a Oi figura com 18,77%, enquanto a Vivo segue no topo com 28,83% do market share. Além disso, a nomeação de Zeinal Bava vem pôr fim ao clima de incerteza criado após a saída de Francisco Valim, afastado no início do ano, devido ao descontentamento dos principais acionistas da empresa: PT, Andrade Gutierrez e La Fonte.

“A ida de um executivo com a reputação de Zeinal Bava demonstra que a PT está totalmente disponível para a Oi, já que vai enviar os melhores quadros para a empresa brasileira”, diz Guido Santos, analista da Caixa BI.

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