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Regimento prevê que executivo se aposentaria compulsoriamente em menos de dois anos

Abilio e Fay:
iG São Paulo
Abilio e Fay: "dizer que ele está na idade de se aposentar é brincadeira", afirmou o empresário

Eleito na terça-feira presidente do conselho da BRF , empresa resultante da fusão entre Sadia e Perdigão, Abilio Diniz afirmou que o presidente da companhia, José Antonio Fay, deveria permanecer no cargo além do previsto pelo estatuto. O regimento determina que o executivo deve se aposentar compulsoriamente no final de 2014, ao completar 61 anos.

"Preciso ver no estatuto que percentual [ de aprovação dos acionistas ] seria preciso para mudar isso. Se ele quiser sair, é um problema dele, mas não está na idade de se aposentar", disse o empresário. "Olhem para mim, poxa! Dizer que o Fay está na idade de se aposentar é brincadeira", afirmou Abilio, que tem 76 anos.

Antes da chegada de Abilio, o conselho já debatia a sucessão e uma eventual reformulação no organograma da companhia. A BRF tem planos de ampliar sua internacionalização e pretende criar cargos de CEO (sigla em inglês para presidente executivo) em cada país onde atua com relevância, além de transformar Fay no CEO mundial da companhia. Esses planos agora serão discutidos pelo novo conselho.

- Veja: Abilio nega conflito de interesse e diz que Pão de Açúcar é seu maior patrimônio

Em entrevista coletiva na quarta-feira (10), Abilio deixou claro que apoia o presidente executivo e conta com o respaldo dele em sua chegada à companhia. “O Fay vai ter de me dar uma aulinha todo dia sobre a empresa, já disse isso para ele”, brincou o empresário.  

Fay também espera contar com Abilio para aprimorar os processos e a gestão da BRF. “Não vou poder contribuir no processo de produção, mas em gestão e liderança posso contribuir. Quero achar, sem pressa, modelos que façam as pessoas produzirem mais dentro da companhia”, afirmou o empresário.

Abilio agora é presidente do conselho de administração da BRF e do Pão de Açúcar. O Casino, sócio francês que no ano passado se tornou controlador da rede varejista, vê um conflito de interesses nessa situação – uma vez que as empresas mantêm relações comerciais – e pede que Abilio renuncie ao cargo na companhia. O empresário nega haver incompatibilidade nas funções.

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