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Marcos Amaro entrou no negócio em 2008, investiu R$ 40 milhões e dobrou tamanho da rede

Amaro, que vai dedicar mais tempo à carreira de artista plástico:
Divulgação
Amaro, que vai dedicar mais tempo à carreira de artista plástico: "bem mais divertido que óticas"

Marcos Amaro, 28 anos, filho do comandante Rolim Amaro, fundador da TAM, vendeu sua participação de 95% nas Óticas Carol ao fundo inglês 3i, por R$ 108 milhões.

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Os outros 5% permanecem nas mãos de Ronaldo Pereira, presidente-executivo da empresa. No negócio, ele também recebe opções de compra de ações, que permitirão que aumente essa participação no futuro, caso cumpra metas.

O empresário se tornou sócio das Óticas Carol em 2008, aos 23 anos. Em quatro anos, comprou quase todo o capital da empresa do fundador, Odilon Santana. Amaro afirma ter investido, ao todo, cerca de R$ 40 milhões no negócio.

No comando da companhia, ele fez o número de lojas saltar de 200 para 500. O faturamento anual chegou a R$ 260 milhões, o que coloca as Óticas Carol como uma das três grandes do setor – ao lado da Fototica e das Óticas Diniz.

Do total de lojas, apenas oito são próprias e as demais são franquias. O que foi vendido ao fundo inglês são as lojas próprias, a marca, o centro de distribuição e o laboratório de Barueri (SP). As unidades próprias estão concentradas em shoppings de São Paulo (cinco delas), no Rio de Janeiro (duas) e em Porto Alegre (uma loja).

Marcos Amaro, que não tem participação acionária na TAM (já possuiu 15% da empresa, mas vendeu gradualmente suas ações e há quatro anos saiu do negócio), também é artista plástico. Fez duas exposições no ano passado e mantém o Espaço Húmus, em São Paulo, onde apoia criadores de conteúdo digital sobre política, arte e cultura.

Labirinto do Minotauro, de Amaro: fita adesiva, pincéis atômicos e colagem sobre papel cartão
Reprodução/Website Oficial
Labirinto do Minotauro, de Amaro: fita adesiva, pincéis atômicos e colagem sobre papel cartão

"Do ponto de vista empresarial, vou dar um tempo. Estou no negócio de óticas há dez anos (antes das Óticas Carol, era representante dos óculos Tag Heuer no Brasil). Terei de ficar fora desse mercado, por acordo de não competição com os compradores", diz Amaro. "Certamente, vou dedicar mais tempo para a arte e a cultura. Cá entre nós, é bem mais divertido que o ramo das óticas", afirma.

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O 3i é um fundo investidor focado no mercado de ações, infraestrutura e gerenciamento de débito na Europa, Ásia e Américas. Na compra das Óticas Carol, o fundo se associou a outros dois investidores institucionais: o Neuberger Berman, que tem cerca de US$ 200 bilhões em ativos sob gestão, e o Siguler Guff, sediado em Nova York (EUA), com US$ 10 bilhões em ativos.

Amaro sinaliza que a entrada de investidores deve acelerar o crescimento do negócio, possivelmente por meio de aquisições. O setor é muito pulverizado, com mais de 20 mil óticas diferentes no País. "Imagino que (a compra de concorrentes) possa acontecer, mas, no primeiro momento, os investimentos devem ser feitos na 'base' da empresa, como em treinamento e pesquisa", afirma.

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“As Óticas Carol têm um posicionamento singular no mercado brasileiro de óculos. Seu modelo diferenciado de negócio vai dar à companhia condições de expandir rapidamente pelo País”, afirma, por comunicado, Marcelo Di Lorenzo, sócio, diretor-administrativo e chefe da 3i no Brasil. Em 2012, o fundo investiu R$ 100 milhões na brasileira Blue Interactive, do ramo de banda larga e TV a cabo. 

A meta, segundo o empresário e artista plástico, seria dobrar novamente o tamanho da companhia e chegar a mil lojas nos próximos cinco anos.

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