Tamanho do texto

As baixas em ativos e impostos não afetam o fluxo de caixa a empresa, mas devem levar a Vale a apresentar um prejuízo no trimestre, o primeiro em 10 anos

Reuters

A mineradora Vale deve se beneficiar da alta dos preços do minério de ferro e do aumento sazonal das vendas nos últimos meses do ano, mas ainda assim apresentar prejuízo contábil no 4º trimestre, segundo relatórios de bancos e corretoras desta sexta-feira.

A companhia anunciou revisões contábeis de ativos e impostos nesta semana que impactarão em mais R$ 9 bilhões o seu resultado de outubro a dezembro. Essas baixas não afetam o fluxo de caixa a empresa, mas devem levar a Vale a apresentar um prejuízo no trimestre, o primeiro em 10 anos.

"Nós esperamos perdas, mas por conta de itens não-recorrentes, que podem ofuscar a leitura do balanço. Do ponto de vista operacional, esperamos que a Vale apresente resultados melhores com a sazonalidade favorável (maiores volumes) e melhores preços de minério de ferro", disse o BTG Pactual em relatório.

"Os preços do minério de ferro parecem bem apoiados. Acreditamos que a Vale tem espaço para ganhos adicionais, dado os meses sazonalmente fortes para o minério de ferro."

Os preços da commodity já subiram 56% desde setembro, quando atingiram o seu menor valor em 3 anos.

A demanda da China, principal importador, está aquecida devido à recomposição de estoques e diante da previsão de retomada mais forte da economia no próximo ano.

PREJUÍZO

Na noite de quinta-feira, a Vale anunciou a revisão de seus ativos de níquel em Onça Puma e de alumínio, provocando uma diminuição de valor contábil de US$ 4,2 bilhões (R$ 8,73 bilhões) com efeito no último trimestre de 2012.

"Mesmo sem perda de caixa, essas baixas contábeis em percentuais muito elevados em relação ao valor dos ativos, seguramente assustam o investidor. É importante frisar que o valor (da baixa contábil) vai provavelmente levar a Vale a apresentar prejuízo líquido no 4º trimestre", informou a corretora Planner em relatório.

A companhia também divulgou, na quarta-feira, dois acordos relativos a impostos com um impacto negativo de mais de 900 milhões de reais no quarto trimestre.

Apesar do mau resultado contábil nos últimos três meses do ano, a mineradora teve um lucro médio R$ 6,4 bilhões em cada um dos três primeiros trimestres de 2012.

O último prejuízo trimestral sofrido pela mineradora, há dez anos, foi causado pela grande desvalorização do real frente ao dólar, na época. A Vale teve, na ocasião, perda de R$ 216 milhões.

Apesar do provável prejuízo, o Bank of America Merrill Lynch escreveu em relatório que o impacto das baixas contábeis será limitado sobre as ações da Vale (em função disso já ser esperado pelo mercado), neutro sobre o fluxo de caixa da empresa e que os desafios operacionais com o projeto de níquel eram conhecidos.

"A empresa pode potencialmente ter um benefício fiscal sobre os encargos acordados", disse a instituição.

As ações preferenciais da Vale operavam em baixa de 2,08% às 15h06, enquanto o Ibovespa perdia 1,12%. A queda das ações da mineradora era em linha com a desvalorização vista por siderúrgicas e outras blue chips nesta sessão.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.