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Segmento estuda a entrada de chineses, porém tem enfrentado problemas com atrasos em obras das usinas

O potencial de crescimento do setor eólico brasileiro, que deve atingir participação de 9% na matriz energética em 2021, com 16 gigawatts (GW) instalados, tem chamado a atenção de fabricantes estrangeiros. Por aqui o número que se resumia a duas empresas em 2008 já soma 11 fabricantes neste ano.

E esse crescimento acelerado já ligou o sinal de alerta das entidades do setor. Elbia Melo, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) explica que a cautela é motivada por um descompasso do crescimento do setor em relação a expectativa dos fabricantes. É que enquanto a expectativa de crescimento anual é de 2 gigawatts (GW) por ano, os fabricantes instalados no país tem capacidade para atenderem um mercado que cresce anualmente 4 GW. “Estamos passando por um momento de reflexão”, afirma.

Mesmo com um olhar mais apurado, já que os atuais fabricantes são capazes de atender a demanda do mercado com folga, a presidente afirma que tem conversado com empresas chinesas de aerogeradores que estão interessados no país. “Hoje o Brasil só perde para a China no mercado de energia eólica. O país deve se consolidar em 2013 na décima posição em capacidade instalada. Tudo isso são atrativos”, avalia. Élbia espera que no próximo ano, o Brasil atinja 4 GW de capacidade instalada.

As empresas que disputam um espaço no país são as chinesas GoldWind, Sinovel Wind Group e China Guodian United Power Technology. Outra empresa que também deve ampliar sua atuação no Brasil é a General Eletric (GE). A companhia estuda a instalação de uma fábrica de naceles (peças que integram as turbinas eólicas) e pode tomar uma decisão já no primeiro semestre de 2013.

Mas enquanto os planos são positivos para os próximos anos para a eólica, Elbia lembra que 2012 não foi um bom ano para o setor de energia. “Não houve leilões, a economia cresceu pouco e a distribuidoras enfrentaram um cenário de sobrecontratação.” Porém, a presidente da Abeeólica enfatiza que o setor eólico, em especial, apresentou crescimento e hoje já atua com 2% na matriz energética brasileira, com 2,4 GW de capacidade instalada, distribuída em 106 parques eólicos.

Até o fim de 2016, a meta é inserir no sistema elétrico nacional 8,4 GW de potência eólica, o que significará 5,5% de participação na matriz elétrica brasileira. Já o investimento feito pela indústria eólica em todos os leilões realizados no Brasil, entre 2004 e 2011, alcançou R$ 25 bilhões. A previsão é que o investimento atinja R$ 50 bilhões até 2020, quando o setor eólico deve representar 9% na matriz energética.

E na visão de Elbia, o governo terá um papel brando para o crescimento da energia eólica. “O setor não tem que ser ajudado pelo governo. O papel dele (o governo) é estabelecer regras.” Mesmo assim, a presidente da Abeeólica reconhece que medidas como o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) e ICMS zero para os equipamentos do setor ajudaram a eólica a se tornar a segunda fonte mais competitiva do país. Mas, ela ressalta: “Não dá para o governo ficar toda hora ajudando. Quando o setor é interessante as empresas privadas investem.”

Parques eólicos

Atualmente com 106 parques eólicos, sendo 38 deles instalados neste ano, o setor tem enfrentado algumas barreiras motivadas pela falta de linhas de transmissão de energia. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que 32 dos 71 parques eólicos leiloados em 2009 estão parados por causa da ausência de transmissão. Ainda segundo dados do agente regulador, das 265 usinas eólicas atualmente em construção, 94 delas estão em situação de atraso, motivado, principalmente, por aspectos ambientais.

A Enel Brasil Participações anunciou que começou as obras para a construção de três parques eólicos na Bahia. As novas instalações, que vão contar com investimento de € 166 milhões, terão uma capacidade total instalada de aproximadamente 90 MW. Ao funcionar, serão capazes de produzir cerca de 400 GW por ano.

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