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Governo português suspende privatização da companhia aérea alegando falta de garantias financeiras

Germán Efromovich, dono do grupo Synergy Aerospace, reagiu com surpresa - e com óbvio desgosto - à decisão do governo português de suspender o processo de privatização da problemática companhia aérea Tap. Mas admitiu a possibilidade de voltar a disputar o capital da empresa. “Nunca fecho a porta”, afirmou. Ele aguarda a modelagem do novo processo de venda da companhia. O Synergy foi o único a realizar, na semana passada, uma oferta pelo controle da companhia, de R$ 4 bilhões. De acordo com o governo português, o Synergy não teria apresentado garantias bancárias mínimas de ¤ 25 milhões para levar o negócio adiante.

Pelos termos propostos no processo de privatização, o empresário pagaria esse montante ao governo português, assumindo assim um passivo de ¤ 1,2 bilhão. O Synergy teria ainda de repor ¤ 316 milhões em capital da companhia em duas fases: a primeira, com injeção imediata de ¤ 166 milhões e o restante divididos em 18 meses.

Dois anos

A secretaria de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, espera relançar o processo de privatização da Tap em dois anos. Além da falta de garantias, há algumas regras europeias que travam a venda do controle do capital a empresas fora da Europa. A União Europeia já tinha admitido rever a legislação.

A Synergy é dona de 100% da Avianca Brasil e de 60% da Avianca/Taca, que liga várias cidades da América Latina aos Estados Unidos. A compra da Tap era de fundamental importância para a expansão do grupo - conquistaria a liderança dos voos entre a Europa e o Brasil.

Atualmente, a Tap opera voos em 78 destinos, sendo dez deles no Brasil, por meio de 71 aeronaves, onde 70% da frota é de propriedade da companhia. Já a Avianca/Taca tem 107 aparelhos (é a segunda maior frota da América do Sul, atrás apenas da Tam) e opera em mais de 100 destinos. Recentemente, a companhia comprou 15 aviões turboélice ATR 72-600 por US$ 700 milhões.

Alívio nos cofres

A Tap foi incluída no plano de privatização do governo português para levantar cerca de ¤ 5,5 bilhões entre 2012 e 2013 para fazer frente a compromissos firmados com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, os cofres públicos se livrariam, de acordo com analistas, de pesadas dívidas acumuladas pela Tap nos últimos anos — cifras que ultrapassam ¤ 1,3 bilhão, apesar de o presidente da companhia, Fernando Pinto, afirmar que a situação da companhia é “saudável”. A privatização de 100% da companhia aérea previa também a venda de uma fatia de 5% das ações aos funcionários. (Com informações do Diário Económico)

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