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Rival da Intel quer seus chips em computadores e incorporados em equipamentos da área médica e industrial

Rory Read, 50 anos, está acostumado a mudanças. O executivo preside, desde agosto de 2011, a fabricante de chips AMD, liderando um processo de reestruturação para que a empresa volte a crescer. O desafio é maior ainda se levarmos em consideração o grande concorrente da AMD: a Intel, gigante dos microprocessadores, dona de uma posição hegemônica no mercado. Anteriormente, Read esteve à frente da Lenovo por cinco anos e construiu uma carreira de 23 anos na IBM. Na Lenovo, era preciso juntar uma empresa americana e uma chinesa. Na IBM, a mudança era de foco, que marcou a virada da Big Blue, fazendo a empresa focar em serviços. Em comum, está o desafio de promover mudanças na cultura corporativa.“A AMD tem todos os elementos para fazer essa transformação. É difícil, mas possível”, diz Read, em entrevista exclusiva ao BRASIL ECONÔMICO.

Por anos, a AMD foi reconhecida como a número 2 no mercado de processadores para PCs, liderado pela Intel. Os planos de Read para a nova AMD são olhar à frente, mirando tendências futuras. A empresa quer estar presente não só em laptops, computadores e tablets, mas também quer seus chips incorporados a novos formatos de laptops, além de equipamentos da área médica, industrial e de jogos. Read, no entanto, descarta a presença da AMD em smartphones. “É uma área cheia. Precisamos ver oportunidades à frente”.

Outra área-foco são servidores que ocupam menos espaço e consomem menos energia. Os chamados “servidores densos” são fruto da aquisição da Seamicro, em 2012. Cerca de 2,5% do total da energia usada nos Estados Unidos é consumido por servidores e a tecnologia da Seamicro reduz esse consumo seis vezes e ocupa quatro vezes menos espaço físico, garante Read. “Essa é uma grande melhoria na forma como os data centers serão construídos e é um segmento que vai crescer de 50% a 100% nos próximos anos”, observa.

Com este tripé, Read espera preparar a AMD para a era da computação na nuvem. “A nuvem está mudando tudo. Todos os dispositivos, de tevês a carros, laptops e eletrodomésticos, vão compartilhar e acessar informações. Nessa nova era, a combinação de performance gráfica e de processamento é mais importante”.

Atualmente, 5% do faturamento da AMD vêm dessas novas áreas-foco. E até o fim de 2013, a promessa de Read é que o percentual será superior a 20%. “Essa meta é um sinal de que estamos indo na direção certa. Este é um momento excitante para a indústria. Há muitas mudanças, mas temos que abraçar as mudanças”, avalia Read.

Brasil é mercado-chave

Esta é a primeira visita de Read ao Brasil desde que assumiu o comando da empresa. A presença do executivo reforça a relevância do país, considerado mercado-chave para a AMD. “Vemos nosso negócio crescendo a 20% aqui, o que é substancial e grande”, conta o executivo.Sem informar números, Read diz que a empresa tem investido em equipe, marketing e vem reforçando parcerias com varejistas, fabricantes locais, como Positivo e Itautec, e governo para ganhar força no mercado nacional.

Em 12 meses, a participação de mercado da AMD no Brasil focresceu mais de 35% e a meta é alcançar 30% de market share até o final de 2012, contra 18,9% contabilizados em dezembro de 2011. Em outubro, a AMD promoveu a América Latina a “mega região”, passando a responder diretamente à matriz. E o presidente da empresa no Brasil, Ronaldo Miranda, assumiu a liderança da nova região.

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