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De acordo com Bianco, da Dançar Marketing, responsável pela vinda de Andrea Bocelli, os prestadores de serviços não têm acompanhado o crescimento das empresas do setor

Pedro Bianco, presidente da Dançar Marketing, empresa responsável pelo show de Andrea Bocelli no Brasil não está satisfeito com o atual cenário que o setor cultural e de entretenimento tem vivido no país.

Segundo o executivo, que está no mercado há 30 anos, os fornecedores para os eventos não têm acompanhando o crescimento do setor que inclui agora empresas como Time For Fun (T4F), Geo Eventos (da Globo), XYZ (do grupo de mídia ABC) e a IMX (da EBX, de Eike Batista). “Hoje é difícil encontrar um local que comporte um grande número de pessoas. O problema se estende também para os serviços, além das exigências das casas e das entidades públicas”, explica o executivo, que foi o responsável pela apresentação do tenor italiano no Jockey Club.

De acordo com Bianco, para realizar o show, foi necessário trabalhar com nove fornecedoras de cadeiras para disponibilizar o assento para 22 mil pessoas. Além disso, o executivo chegou a receber um orçamento de R$ 1 milhão para a instalação do piso do local.

Segundo ele, a empresa que levou o serviço cobrou R$ 700 mil. Ainda segundo o presidente da Dançar Marketing, a escolha do espaço precisa ser definido com um ano de antecedência. Locais como o estádio do Morumbi, onde foi realizado recentemente os shows da Madonna e Lady Gaga pela T4F são locados pela bagatela de R$ 1,7 milhão. Já o Jockey Club paulista, onde o tenor cantou, não sai por menos de R$ 1 milhão.

Na visão do empresário, que já realizou 60 eventos ao ar livre, o número de empresas do segmento de grandes shows apresentou um forte crescimento nos últimos quatro anos, motivado pelo fluxo maior de artistas internacionais que tem se apresentado no país. “A situação econômica no exterior, principalmente na Europa, motivou esse interesse dos artistas, já que aqui eles conseguem lucrar mais.”

Porém o público brasileiro tem deixado indícios de que não consegue acompanhar a quantidade de shows ofertadas pelas produtoras, principalmente no quesito preço. Resultado disso já é sentido pela T4F, que já sinalizou que o resultado financeiro de 2012 não virá conforme o esperado. “Nossos resultados poderão sofrer impacto negativo substancial no exercício de 2012”, afirmou Marcelo Martins Louro, diretor de Relações com os Investidores da T4F, por meio de comunicado enviado a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Entre os fatores citados pela T4F estão gastos com mídia e menor apropriação de patrocínio. O cenário foi sentido também por Bianco da Dançar Marketing, que não conseguiu patrocínio para a apresentação de Bocelli no Brasil, show que contou com investimento próprio de R$ 10 milhões, onde R$ 4 milhões foram destinados para a divulgação de mídia. “É difícil ter lucro sem patrocínio, estamos fechando ainda o caixa do show para ver qual foi o cenário”, argumenta o executivo que cobrou de R$ 85 a R$ 2 mil pelo ingresso. “Vale a pena correr o risco, já que muitas vezes você ainda não tem patrocínio fechado quando assina contrato com o artista”, completa.

De acordo com o executivo, a situação também é complicada na busca por patrocínio. “É uma busca acirrada entre as produtoras”, destaca.

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