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Dinheiro será utilizado para retomar produção de insumo que era importado da China

A unidade da Monsanto em Camaçari, na Bahia, anunciou investimentos da ordem de R$ 47,6 milhões para os próximos cinco anos para o desenvolvimento de novas tecnologias, visando retomar totalmente a capacidade produtiva da empresa do glifosato intermediário - matéria-prima utilizada para produção de herbicida para controle de ervas daninhas para diversas culturas, entre elas soja, milho e algodão.

Gilmar Beraldo, gerente de proteção de cultivos da companhia na região, conta que a companhia perdeu cerca de 15% de sua capacidade de produção entre 2008 e 2010, período de forte concorrência do produto chinês, que ingressou no mercado nacional a preços muito mais baixos do que os praticados localmente na época.

Essa ação fez com que a participação chinesa no mercado nacional do produto saltasse de 13% para 67%. A capacidade instalada da empresa é de 102 mil toneladas de glifosarto ao ano. “Saímos de um patamar de preço de US$ 12,50 o quilo desse material para apenas US$ 2,50”, conta, lembrando ainda que a concorrência que considera desleal fez com que suas rivais de mercado fechassem suas portas, sendo hoje a unidade de Camaçari a única a produzir a matéria-prima no Brasil.

A necessidade de colocar a fábrica para trabalhar a todo vapor, segundo Beraldo, tem ligação direta com a demanda mundial de alimentos, que vem crescendo em grande escala. “Precisamos ser agentes colaboradores para a produção de alimentos. E isso é possível com a utilização de herbicidas que ajudam na proteção de plantações”, diz. A Monsanto é responsável pela fabricação do herbicida Roundup e gera 2 mil empregos diretos e indiretos em sua cadeia produtiva no polo baiano.

Ainda segundo Beraldo, a companhia atingirá o objetivo por meio de ações que já estão sendo tomadas junto a produtores locais. “Nosso produto já é bem conceituado junto aos produtores locais, por isso estamos estreitando parcerias com eles para que o nosso herbicida ganhe mais mercado”, explica.

Na semana passada, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso decidiu que a Monsanto pode retomar a cobrança de royalties pela soja Roundup Ready no estado. Os valores cobrados serão depositados judicialmente enquanto se aguarda o julgamento do mérito. “Esse é um passo que reforça nossa confiança em nossa posição jurídica e destaca que a primeira geração da soja Roundup Ready é protegida por direitos de propriedade intelectual estabelecidos na legislação brasileira”. (A repórter viajou a convite da empresa).

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