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Banco Imobiliário, Pula Macaco e Autorama são jogos clássicos que saíram dos tabuleiros e fazem parte da nova unidade de negócio da maior fabricante de brinquedos do País

A Estrela, maior fabricante de brinquedos do Brasil, vai se arriscar no mercado de jogos online e lançar uma nova unidade de negócio voltada para plataformas digitais, a Estrela Digital. Até o Natal, os quatro maiores sucessos de vendas da companhia, Banco Imobiliário, Cilada, Pula Macaco e Autorama, serão comercializados na loja virtual e poderão ser jogados em celulares, tablets e redes sociais.

Os jogos foram desenvolvidos pela Ponto Mobi, braço do grupo RBS de Comunicação. A diferença é que além de não precisar mais de tabuleiros, os usuários também podem jogar simultaneamente a outros jogadores e em diferentes aparelhos. “O usuário pode começar a jogar em um tablet, salvar o jogo, e continuar depois em um smartphone ou no Facebook”, diz João Carvalho, diretor da Ponto Mobi.

A loja virtual é uma ambição da Estrela desde 2010, mas só agora a empresa conseguiu reunir parcerias e investimentos para o lançamento. No início do ano, a empresa testou esse mercado com um aplicativo do Banco Imobiliário para celulares. “Nossa expectativa era que mais de 1 milhão de pessoas baixassem a versão online do produto, nós ainda não atingimos isso, mas o retorno foi positivo”, diz o presidente da Estrela, Carlos Tilkian.

Na Estrela Digital, os compradores utilizarão uma moeda própria criada pela companhia, as estrelinhas . “Essa é uma forma de tornar o ambiente controlado, os pais compram um número limitado de moedas para os filhos”, diz Carvalho da Ponto Mobi.

Para usuários de celulares do sistema iOS, as compras poderão ser feitas pela própria loja virtual da Apple, já no caso das plataformas Android, os jogos podem ser comprados pelo Google Play. Usuários de tablets e redes sociais podem adquirir os produtos pela Chrome Web Store ou diretamente pelo Facebook. Além das vendas online, a Estrela realizou também uma pareceria com a companhia Alelo para distribuir gift cards em pontos de venda físicos a partir de fevereiro.

Cada jogo custa em média R$6, ou 2,5 mil estrelinhas. Por enquanto, todos os jogos serão comercializados em dólares, e os consumidores podem adquirir três pacotes: 2,5 mil estrelinhas por US$2,99, ou 5 mil estrelinhas pó US$3,99, ou 10 mil estrelinhas por US$5,99.

“Nosso objetivo é desenvolver novos jogos também, se dermos sorte vamos criar o nosso próprio Angry Birds”, diz Tilkian. Uma das pretensões da Estrela é a internacionalização da companhia. “Vamos traduzir o conteúdo para inglês, espanhol e outras línguas para explorar novos mercados”, diz Breno Masi, diretor da Ponto Mobi.

A Estrela Digital representa um investimento de R$2,5 milhões, a companhia espera que a plataforma represente a médio prazo o mesmo faturamento que a venda de brinquedos no varejo. A empresa tem enfrentado prejuízos constantes e em 2009 precisou recorrer ao Refis (Programa de Recuperação Fiscal) por conta de uma dívida de R$47,4 milhões em impostos.

A plataforma é uma tentativa de ampliar o número de consumidores, inclusive impactando usuários adultos. “Queremos resgatar os consumidores que já desgarraram do nosso mercado tradicional”, diz Tilkian. “Em um segundo momento, também vamos pensar na terceira idade”, completa.

Mercado em dificuldades

A situação da Estrela não é singular. O mercado brasileiro de brinquedos enfrenta forte concorrência dos produtos chineses. Segundo a Abrinq, no ano passado o setor faturou R$3,4 bilhões,mas apenas R$1,7 bilhão são referentes à produção nacional e das importações, 80% vieram da China.

“Esse é um cenário que precisa mudar. Não falta capacidade produtiva, tecnologia ou design no Brasil”, diz Tilkian. Medidas como a unificação do ICMS, controle do dólar, a redução nos custos de energia, a desoneração fiscal e o fim do privilégio para produtos importados nos portos de Espírito Santo e Santa Catarina trouxeram otimismo para as indústrias, mas os reflexos só serão sentidos a partir do ano que vem. “Ainda não fomos impactados pela desvalorização do real, mas no ano que vem as medidas do governo vão trazer de volta nossa competitividade”, diz o presidente da companhia.

Neste ano, a Estrela pretende crescer 15% em relação a 2011, ano em que faturou R$150 milhões. Para 2013, a empresa espera que a quantidade de produtos e peças importadas seja reduzida de 30% para 20%. Para Tilkian, a grande dificuldade de sua empresa é superar o passivo fiscal. “Desde a abertura para o mercado temos um prejuízo operacional”.

Parcerias

Com a plataforma de vendas online, a Estrela quer recuperar o mercado perdido e se adequar a um novo tipo de consumidor. Essa é a tentativa da companhia para se adaptar ao mundo digital com um plano de negócio rentável. “Já temos duas parcerias, uma com a Tecnisa e outra com a Fiat para os jogos Banco Imobiliário e Autorama”, diz Tilkian.

Com os patrocínios, os jogos são disponibilizados gratuitamente para os consumidores. “As empresas apoiam o projeto e suas marcas aparecem contextualizadas dentro dos jogos”, diz João Carvalho da Ponto Mobi. “Por exemplo, todos os empreendimentos à venda no Banco Imobiliário são empreendimentos reais que realmente estão sendo vendidos pela Tecnisa”. Além disso, a companhia mantém a parceria com o Banco Itaú no aplicativo Banco Imobiliário lançado no início do ano para celulares.

A iniciativa representa uma tendência da Estrela. A empresa pretende aumentar suas parcerias e digitalizar mais jogos nos próximos anos, entre eles Detetive e Jogo da Vida que já estarão disponíveis no início do ano que vem.

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