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Estado gaúcho aposta na articulação entre governo e empresas para garantir mão de obra e infraestrutura

É regra do desenvolvimento econômico que serviços e infraestrutura acompanhem simultaneamente a chegada de novos investimentos em uma determinada região.

Este é o caso da indústria naval emergente no Rio Grande do Sul, à medida que a Petrobras amplia sua carteira de recursos em municípios gaúchos e, consequentemente, promove a participação de empresas fornecedoras locais no setor. O estado, agora, traça a meta de antecipar-se às demandas sociais e de infraestrutura para tornar-se uma exceção à regra no país.

Garantir mão de obra qualificada e serviços de logística e energia estão no topo da lista de prioridades de órgãos vinculados ao governo gaúcho, como a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI). O trabalho da agência é articular projetos entre estado e empresas, e elaborar estudos sobre competitividade de uma região e seu potencial para atrair investimentos.

O foco mais recente está no Polo Naval de Jacuí, no município de Charqueadas, inaugurado neste ano. O local já tem garantido, em contrato, investimentos de US$ 900 milhões entre Petrobras, Iesa Óleo e Gás, e Metasa, para produção de módulos para plataformas, a partir de março de 2013. “O projeto está bem no início, mas daí começa um ciclo econômico de desenvolvimento da cadeia de petróleo”, afirma Marcus Coester, presidente da AGDI. “Já está em elaboração um plano diretor, com prazo urgente, para desenvolvimento da região”, completa ele, ressaltando o pacto entre governo do estado, município e empresas.

A estimativa é que a população e a demanda por serviços — energia, água, estradas etc — em Charqueadas tripliquem a partir do ano que vem. O crescimento é inevitável e semelhante ao observado, desde 2006, em outro polo naval do estado: de Rio Grande. A cidade portuária, contudo, não contou com igual acompanhamento promovido pela AGDI, crida há apenas dois anos.

Um dos benefícios conquistados ao projeto de Jacuí foi decretar a região como zona industrial prioritária, o que facilitou a garantia de rapidez em licenças ambientais por parte da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental). Os incentivos se mostram ainda maiores na área de recursos humanos. “Estamos fazendo um mutirão de treinamento de trabalhadores, colocando as empresas como protagonistas do processo para evitar o baixo aproveitamento”, observa Coester.

Com apoio do Senai, cerca de 800 ‘trainees’ locais serão responsáveis pelas primeiras operações do Polo de Jacuí. A mão de obra deverá ser ampliada a partir do cadastro realizado por prefeituras de municípios ao redor de Charqueadas, com cerca de 2,7 mil nomes até o momento. Apenas Iesa e Metasa exigirão aproximadamente 3 mil trabalhadores no pico de suas atividades. “A ideia é utilizar apenas mão de obra local”, acrescenta Coester. As duas companhias, observa ele, se “engajaram” na elaboração dos cursos profissionalizantes e na seleção dos candidatos. Além de Charqueadas e Rio Grande, outros municípios do estado já estão sob estudo da AGDI para futuros investimentos e integração à cadeia naval gaúcha — Pelotas, Guaíba, Mostardas e Tapes são exemplos.

A cadeia de petróleo e gás no Rio Grande do Sul será tema do seminário Brasil em Perspectiva — Qualificar e Competir que o grupo Ejesa promove amanhã em Porto Alegre, por meio do BRASIL ECONÔMICO e do jornal O Dia.

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