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Retração econômica, oscilação dos preços da fibra e alta na oferta são desafios do setor

Pouco mais de dois anos após o início do projeto, a Eldorado Celulose se prepara para inaugurar amanhã sua primeira fábrica, considerada uma das mais modernas do mundo. Com aporte de R$ 6,2 bilhões, incluindo a construção da unidade fabril, investimentos em florestas e logística, o projeto faz jus ao porte dos investimentos da holding J&F, controladora do JBS, pertencente à família Batista. O empreendimento marca a entrada do grupo no setor de celulose.

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A inauguração da fábrica acontece em um momento delicado, com a instabilidade econômica e de preço da celulose. Vale lembrar que 90% da produção da Eldorado, que no primeiro ano deve atingir 1,5 milhão de toneladas, será destinada ao mercado externo. O montante fabricado pela companhia, representa cerca de 10% da produção brasileira da fibra.

Dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) indicam que a produção de celulose vem crescendo, em média 7,2% ao ano. Entre janeiro e outubro deste ano, no entanto, as exportações de celulose renderam US$ 3,8 bilhões, ante US$ 4,2 bilhões no mesmo período de 2011.

Na opinião de Carlos Farinha e Silva, vice-presidente do Grupo Pöyry, os preços da celulose se recuperaram levemente nos últimos meses, acompanhando uma pequena retomada da demanda asiática pela fibra, especialmente no mercado chinês. “O aumento da oferta de celulose, com a entrada da Eldorado e com a nova fábrica da Suzano no fim de 2013, deverá surtir impacto na oferta, mas acredito que não será algo alarmante”, diz.

O projeto da Eldorado se transformou em referência quando se trata de tecnologia e modernidade. Um dos destaques da nova fábrica está na parte logística. O transporte da celulose será feito 50% via ferrovia, por meio de uma parceria com a ALL logística. Já a outra metade do trajeto, que levará até o porto de Santos, será feita por barcaças, via hidrovia do Tietê. “A cidade está estrategicamente posicionada quando se trata de logística, além disso, esses modais têm menor impacto ambiental”, disse José Carlos Grubisich, em entrevista ao Brasil Econômico em outubro.

Na fábrica, uma potente caldeira de recuperação já passou pela fase de testes. O equipamento faz a produção de resíduos químicos, produz vapor e energia elétrica. “É a maior caldeira da indústria de celulose do mundo, com capacidade para gerar 220 megawats de energia”, disse Grubisich. Segundo ele, o equipamento deve suprir o consumo energético da fábrica, gerar excedente para os parceiros e venda ao sistema elétrico, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

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