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Os US$ 3 bilhões oferecidos pela brasileira estão bem abaixo do esperado pela empresa

Ativos valiosos por preços baixos. Esse tipo de negócio atrai a atenção de qualquer empresa interessada em fortalecer sua presença em determinado segmento. Ao que tudo indica, é justamente esse tipo de pensamento que levou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) a apresentar uma proposta pelos ativos da alemã ThyssenKrupp nas Américas. “Se esse negócio se concretizar, realmente o grande atrativo é o preço, que é muito baixo”, afirma Pedro Galdi, analista chefe da corretora de investimentos SLW.

Segundo fontes próximas à negociação, a CSN teria feito uma proposta informal de US$ 3 bilhões pelos negócios da ThyssenKrupp no Brasil e nos Estados Unidos. Entre os ativos, o de maior destaque é a siderúrgica da Thyssen no Rio de Janeiro, a Companhia Siderúrgica Atlântico (CSA), em que tem a Vale como sócia minoritária. A unidade, que foi inaugurada em 2010 depois de sucessivos atrasos no cronograma, demandou investimentos de mais de ¤ 5 bilhões. “Quando eles planejaram esse investimento, a situação do mundo era outra. Ainda não tinha acontecido a crise de 2008 e a demanda mundial por aço era bem maior”, diz Galdi. A companhia alemã já havia anunciado em maio deste ano os planos de se desfazer da operação brasileira.

Desde então, além da CSN, apenas a argentina Ternium também teria demonstrado interesse pelos ativos. A demora em conseguir se desfazer das unidades estaria no preço. Em agosto, o presidente da ThyssenKrupp, Heinrich Hiesinger, afirmou que a companhia espera receber uma proposta de cerca de US$ 9 bilhões pelos ativos da empresa nas Américas. Este é o valor contábil somado das fábricas no Brasil e nos Estados Unidos no balanço da empresa. “Acreditamos que a venda da CSA ainda vá demorar mais do que o esperado a princípio”, afirmam, em relatório, Leonardo Correa, Pedro Grimaldi e Luiz Fornari, analistas do Barclays.

Na visão dos analistas, quem levar o negócio adiante terá que lidar com uma operação deficitária durante um bom tempo. “Mantemos nossa visão de que vão ser necessários novos investimentos para tornar a operação rentável e que o ativo deve permanecer no vermelho durante vários trimestres.”

Desinvestimentos

A venda dos ativos da ThyssenKrupp nas Américas é mais uma etapa do processo de desinvestimento que a companhia vem enfrentando durante este ano. A empresa procura formas de reduzir a dívida e financiar o crescimento. Para isso, já se desfez de ativos responsáveis por cerca de um quarto das receitas anuais da companhia, entre eles toda sua operação de aço inoxidável.

“Com a crise na Europa e o modelo de alta produção da China para exportação começando a entrar em atrito, é um momento para repensar os investimentos”, afirma Galdi, da SLW. Segundo ele, quem comprar a CSA deve estar mais interessado nos ativos logísticos da operação do que na capacidade produtiva dela. “A unidade foi pensada para atender as fábricas da ThyssenKrupp, então não é o interesse pela demanda brasileira que deve falar mais alto.”

Procuradas, as empresas envolvidas na negociação, preferiram não comentar o assunto.Com Bloomberg

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