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Operação na Argentina e no México completa um ano e ajuda a impulsionar a receita de 2012 da varejista em mais de 40%

A varejista virtual Netshoes atravessa momento-chave na sua história. Este ano, enquanto passa por um processo de organização da gestão que incluiu a criação de um conselho de administração, espera atingir seu primeiro bilhão de faturamento. O crescimento estimado de mais de 40% em relação ao ano passado é fruto de uma estratégia que incluiu, em 2011, o início de uma operação internacional que replicou na Argentina e no México o modelo implementado em 2009 no Brasil.

Com o início do negócio na Argentina em setembro do ano passado, a empresa diz ter aumentado o faturamento no país em 1200% de outubro do ano passado a outubro deste ano. No México, onde a varejista também teve as operações iniciadas há um ano, o aumento no mesmo período passa de 800%. Embora a base para comparação seja pequena, o número é prova de que a companhia fechou o primeiro ano de atuação internacional com as vendas em alta. E quer mais.

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Na Argentina, um dos objetivos para expandir a operação é fazer parcerias com times locais de futebol para administração de suas lojas virtuais, como a empresa já faz no Brasil. Aqui, os sites de e-commerce de times como o Corinthians e o Flamengo são gerenciados pela Netshoes, modelo que a companhia conseguiu levar recentemente para o México, onde fez parceria com Monterrey, América, Chivas e Pumas, principais clubes do país.

“Em 2013, se aproximar dos clubes é algo que faz parte da estratégia na Argentina”, explica Renato Mendes, gerente de assuntos corporativos da varejista. Segundo ele, as recentes greves no país e a atual instabilidade política não interferem nos planos da empresa. “Já sabíamos quais eram os desafios e pesando prós e contras achamos que vale a pena”, diz.

Mesmo assim, a Netshoes não esconde que enfrenta dificuldades em alguns pontos, como, por exemplo, na área de recrutamento, já que não há grande número de profissionais especializados em e-commerce.

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No México, o desafio maior foi criar um sistema de pagamento alternativo ao uso de cartões de crédito, já que os níveis de bancarização do país ainda são baixos. Para isso, a Netshoes fechou uma parceria com a Oxxo, rede de lojas de conveniência em que os consumidores podem também pagar seus boletos bancários.

Agora, a empresa pretende levar para as operações internacionais novas tecnologias que estão sendo usadas no Brasil, como o chat-robô, que responde dúvidas no site automaticamente, e o sistema em três dimensões que compara o tamanho de diferentes modelos de calçados para o consumidor saber exatamente que número comprar em cada uma das marcas.

Capital

Até hoje, a Netshoes recebeu aportes de dois fundos. O primeiro em 2009, vindo do americano Tiger Global, que voltou a investir na brasileira em 2011. Mais recentemente, em julho deste ano, foi a vez da Temasek, empresa de investimento do governo de Cingapura, fazer um aporte de R$ 135 milhões por uma participação minoritária. E a empresa não descarta novos aportes em breve.

“É preciso muito capital para comprar à vista e vender parcelado em até 12 vezes. Continuamos precisando de dinheiro e temos diversas formas de buscar no mercado”, afirma Mendes. Uma das possibilidades seria a abertura de capital. “Esta é um dos modelos que estão disponíveis”, diz.

Sob o comando do discreto Márcio Kumruian, o negócio começou com uma loja física de sapatos em São Paulo, em 2000. A versão virtual só começou a surgir dois anos depois e, em 2007, o crescimento da operação virtual fez o negócio se tornar totalmente on-line.

O tempo mostrou que a decisão foi acertada. Nos últimos cinco anos a média de crescimento da empresa foi de 138% ao ano, o que fez a Netshoes passar de um faturamento de R$ 155,9 milhões em 2009 para R$ 700 milhões em 2011. Com a receita do comércio eletrônico brasileiro crescendo cerca de 25% no país, as perspectivas continuam positivas.

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